Roma mantém-se como candidata clássica e estratégica para acolher a nova Autoridade Aduaneira Europeia. Em Bruxelas, o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, expôs uma candidatura que, nas suas palavras, é «forte» e diferenciada — um pacote pensado para responder às necessidades de segurança, logística e acolhimento institucional exigidas por um organismo europeu de alto perfil.
Na apresentação perante a Comissão do Mercado Interno do Parlamento Europeu, Gualtieri sublinhou que a proposta romana apresenta um ativo singular: um edifício inteiro disponível na via da Civilità Romana, no bairro EUR, que permitiria alojar a autoridade com níveis elevados de segurança e autonomia administrativa. Contrapondo-se às ofertas concorrentes — que, segundo o prefeito, privilegiam «centros comerciais e escritórios» — Roma aposta na coesão e exclusividade da sede como credenciais relevantes.
Do ponto de vista logístico, a candidatura destaca ainda a proximidade do Aeroporto de Fiumicino — «a 15 minutos» — e a existência de escolas internacionais para os filhos dos funcionários, elementos que, adicionados à longa tradição da cidade em acolher organismos internacionais, compõem aquilo que Gualtieri definiu como «um pacote completo».
As cidades concorrentes apontadas no debate incluem Bucareste, Haia, Liège, Lille, Málaga, Porto, Varsóvia e Zagreb. Nesse leque, Roma tenta diferenciar-se não apenas pelo local físico, mas pela conjunção de infraestruturas, conectividade e oferta institucional — fatores que em termos de diplomacia e gestão institucional podem assumir um peso decisivo no momento da escolha.
Presente na sessão, ainda que com ausência do ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, o relato de apoio político veio também do eurodeputado Denis Nesci (Fratelli d’Italia–ECR), que qualificou a proposta italiana como «concreta, credível e sem encargos para o orçamento da União». Nesci relembrou uma confirmação do Subsecretário à Economia, Federico Freni, segundo a qual todos os custos do imóvel — incluindo mobiliário, instalações, manutenção e utilidades — seriam integralmente suportados pelo Estado italiano, sem custos diretos ou indiretos para a futura Autoridade Aduaneira Europeia (EUCA).
Na leitura estratégica que proponho, enquanto observador das dinâmicas internacionais, a candidatura de Roma configura-se como um movimento no tabuleiro que aposta na solidez dos alicerces físicos e institucionais. Num contexto em que a tectônica de poder entre cidades e capitais europeias é também uma disputa por presença geopolítica e soft power, oferecer uma sede pronta e custeada pode ser um argumento persuasivo — sobretudo quando rivaliza com propostas fragmentadas que dependem de soluções mistas de espaços comerciais e empresariais.
Resta acompanhar as avaliações técnicas e políticas em curso no Parlamento Europeu e nas instâncias decisórias. Se Roma consolidar a vantagem logística e financeira que promete, poderá dar um movimento decisivo no tabuleiro que redesenha, discretamente, um pequeno mas significativo eixo de influência no mapa das instituições europeias.






















