Por Stella Ferrari — Em um movimento que acelera a transformação da matriz energética e da indústria de fertilizantes, a Baker Hughes anunciou novas parcerias estratégicas durante sua Assembleia Anual de 2026, realizada em Florença até 30 de janeiro. Como economista com foco em alta performance, vejo essas iniciativas como a calibragem fina necessária para o motor da economia energética global.
A primeira frente é a consolidação do relacionamento com a canadense Hydrostor, especialista em soluções de armazenamento de energia de longa duração (LDES). A aliança prevê a integração das tecnologias da Baker Hughes à oferta de projeto principal da Hydrostor para sua solução avançada de armazenamento por ar comprimido (A-CAES). No âmbito prático, o acordo inclui até 1,4 GW em pedidos de equipamentos da Baker Hughes para os projetos âncora da Hydrostor.
“A crescente pressão sobre as redes elétricas torna o acúmulo de energia a longa duração uma prioridade urgente. O método inovador da Hydrostor entrega uma solução de baixas emissões para garantir confiabilidade por meio de um mix diversificado de geração”, afirmou Lorenzo Simonelli, presidente e CEO da Baker Hughes. A declaração sublinha que, além do equipamento, trata-se de desenhar resiliência sistêmica — uma espécie de engenharia de ponta para a infraestrutura elétrica, onde os componentes precisam se encaixar como num bloco motriz otimizado.
Curtis VanWalleghem, cofundador e CEO da Hydrostor, ressaltou que o acordo destaca o ímpeto da plataforma tecnológica A-CAES para fornecer confiabilidade e resiliência às redes mundiais com custos contidos. Essa combinação de soluções torna possível enfrentar tanto picos de demanda quanto variabilidade de renováveis sem recorrer a soluções fosséis de última instância — uma verdadeira gestão de torque entre oferta e demanda.
Na segunda frente, a Baker Hughes comunicou contratos relevantes para avançar em um dos primeiros complexos de produção de fertilizantes à base de amônia de baixo carbono nos Estados Unidos, desenvolvido pela Wabash Valley Resources (WVR). Localizado em West Terre Haute, Indiana, o projeto reutilizará uma planta de gaseificação existente, transformando-a em uma unidade moderna para produção de amônia limpa.
A companhia fornecerá soluções essenciais de compressão e serviços integrados de construção de poços, apoiando várias etapas da cadeia de valor da amônia limpa: desde a produção de hidrogênio até a separação e o sequestro permanente de CO2. Após entrar em operação, a planta deverá produzir cerca de 500.000 toneladas de amônia por ano e capturar aproximadamente 1,67 milhão de toneladas de CO2 anualmente, contribuindo para um suprimento de fertilizantes mais sustentável e confiável para a Corn Belt e o mercado agrícola dos EUA. A Baker Hughes também fornecerá equipamentos de compressão para a Honeywell, integrando tecnologia e cadeia industrial.
“Além do setor energético, a Baker Hughes está ajudando a transformar setores essenciais como o agrícola, possibilitando uma expansão mais produtiva e sustentável”, disse Lorenzo Simonelli. Essa interseção entre indústria pesada e inovação climática reflete uma tendência clara: a aceleração de investimentos em projetos que unem descarbonização e segurança de abastecimento — o novo drive de competitividade para economias avançadas e emergentes.
Do ponto de vista estratégico, essas iniciativas representam tanto uma resposta às exigências de confiabilidade das redes (a resistência do chassi econômico) quanto a construção de novas rotas de oferta para setores cruciais, como a agricultura (uma recalibragem do sistema de tração dos mercados). Para investidores e formuladores de políticas, o cenário sinaliza oportunidades de escala e replicabilidade: soluções modulares de A-CAES somadas a plantas de amônia de baixo carbono podem reduzir riscos sistêmicos e oferecer retornos associados à transição energética.
Em suma, a sinergia entre Baker Hughes e Hydrostor, e o avanço em projetos como o da Wabash Valley Resources, ilustram a combinação entre engenharia de elite e capital estratégico necessária para pilotar a economia rumo a um futuro de menor intensidade de carbono — com precisão de design e performance operacional.



















