Por Giulliano Martini — A análise de avaliação conduzida pelo professor Claudio Lucifora, membro do conselho do partenariado Age‑It e ordinário de Economia Política na Università Cattolica di Milano, aponta que o combate ao envelhecimento populacional por meio de políticas integradas pode gerar retornos econômicos substanciais. O relatório, fruto de três anos de apuração e cruzamento de dados, estima benefícios cumulados superiores aos benchmarks tradicionais de investimento público.
O estudo avaliou, num horizonte de duas décadas, os efeitos de um investimento público inicial de 120 milhões de euros canalizado ao partenariado Age‑It — iniciativa nacional financiada pelo PNRR e estruturada em três eixos: pesquisa biomédica, pesquisa socioeconômica e pesquisa em novas tecnologias. A abordagem é interprofissional e sistêmica, combinando conhecimentos distintos para enfrentar a complexidade do processo de envelhecimento.
Segundo os cálculos apresentados por Lucifora, os benefícios acumulados no cenário mais conservador chegam a cerca de 25 bilhões de euros ao longo de 20 anos, correspondendo a uma taxa de rendimento entre 25% e 30%. Esses números colocam o retorno do projeto acima dos parâmetros convencionais aplicados a investimentos públicos, reforçando a hipótese de que apostar no capital de saúde é também uma estratégia fiscalmente eficiente.
O relatório não se limita a projeções macroeconômicas. Ele detalha mecanismos operacionais que explicam a origem dos ganhos: melhores protocolos de prevenção e reabilitação, intervenções voltadas para a manutenção da produtividade laboral, campanhas de comunicação sobre estilos de vida e intervenções nutricionais que reduzem tempos de recuperação após traumas. A combinação entre biomedicina, ciências sociais e inovação tecnológica permite aumentar os anos de vida em saúde, com impacto direto sobre a capacidade de trabalho e a autonomia funcional dos indivíduos.
O foco do partenariado Age‑It segue uma lógica de life course — ou curso de vida —, o que implica intervir cedo e continuamente ao longo da trajetória individual, não apenas após os 65 anos. Essa mudança de perspectiva tem efeitos práticos nos indicadores fiscais: reduz o índice de dependência, diminui a pressão sobre benefícios assistenciais e pensões por invalidez e amplia a base contributiva, uma vez que pessoas em melhores condições de saúde permanecem ativas no mercado de trabalho por mais tempo.
Em termos técnicos, o estudo avaliou o fluxo de benefícios acumulados considerando ganhos de produtividade, redução de custos em saúde e menor gasto com incapacidade e assistência social. A conclusão é clara, na terminologia da pesquisa: investir em capital de saúde melhora as condições socioeconômicas e fortalece o saldo das contas públicas.
Do ponto de vista metodológico, o trabalho de Lucifora e da equipe Age‑It se apoia em modelos de avaliação de impacto de longo prazo, triangulação de fontes e simulações de cenários. Essa robustez analítica é decisiva para transformar uma pauta social — o envelhecimento demográfico — em um conjunto de políticas públicas mensuráveis e financeiramente justificáveis.
Em resumo, a apuração in loco e o cruzamento de dados revelam que a resposta ao desafio demográfico passa por uma ação integrada: pesquisa biomédica que previne e reabilita, pesquisa socioeconômica que cria políticas efetivas e tecnologias que ampliam a autonomia. O resultado esperado é duplo: maior bem‑estar individual e retorno econômico mensurável, com taxas de rendimento estimadas entre 25% e 30% sobre o investimento inicial.






















