Por Alessandro Vittorio Romano — Em Milão, numa sala em que a cidade respirava um inverno suave, ouvi do professor Francesco Blasi que estamos próximos de uma mudança real no cuidado das bronquiectasias. Os estudos clínicos mais recentes apontam para medicamentos que atuam sobre a DPP-1 (dipeptidil peptidase 1), uma enzima que prepara o neutrófilo no tecido medular com os seus mediadores inflamatórios, sem anular, porém, a atividade imunológica das células.
Em termos práticos e humanos: trata-se de modular a reação inflamatória dos pulmões sem apagar a chama protetora do sistema imune. É como podar um ramo para que a árvore dê frutos mais saudáveis — preservar as raízes, aparar as pontas que ferem o tecido. Os dados apresentados indicam que essa abordagem leva a uma diminuição significativa das riacutizações, melhora perceptível na qualidade de vida dos pacientes e redução das taxas de hospitalização.
Entre as moléculas em evidência está o brensocatib. Segundo Blasi — professor ordinário de Doenças Respiratórias na Universidade de Milão e diretor do Departamento de Área Médica e da SC Pneumologia e Fibrose Cística do Policlinico di Milano —, ao ser usado em doses mais elevadas, o brensocatib não só reduz as exacerbações como também promove um ganho na função respiratória que se mantém ao longo do tempo. Esta estabilidade funcional é um alento para quem vive com o ciclo imprevisível das crises respiratórias.
O encontro promovido pela empresa farmacêutica Insmed em Milão foi um convite à reflexão clínica sobre as opções terapêuticas que mudam o cotidiano de quem convive com bronquiectasias. Mais do que estatísticas em relatórios, fala-se aqui de noites mais tranquilas, menos deslocamentos ao pronto-socorro e de um respiro maior para famílias e cuidadores — pequenas colheitas de bem-estar que nascem quando a medicina afina sua ação ao ritmo do corpo.
Como observador atento do dia a dia e amante das estações, vejo nessa novidade terapêutica uma primavera para práticas clínicas: ajustes que respeitam o tempo interno do organismo, diminuem a tempestade inflamatória e recuperam o espaço para a vida social e o caminhar cotidiano. A promessa dos inibidores de DPP-1 é, portanto, dupla: ciência que transforma dados em dias melhores e uma experiência humana que reencontra serenidade.
Naturalmente, cada paciente é uma paisagem única; as decisões terapêuticas devem ser tomadas com cuidado e acompanhamento especializado. Ainda assim, a perspectiva apresentada por Blasi abre uma rota de esperança para reduzir a carga das riacutizações e para cultivar uma rotina menos interrompida pela doença.
Enquanto aguardamos a disponibilidade ampla desses fármacos, vale acompanhar as atualizações clínicas e manter um diálogo próximo entre pacientes, familiares e equipes de saúde — como quem cuida de um jardim, observando sinais, ajustando a poda e celebrando cada novo rebento de bem-estar.






















