Depois da asma e da BPCO (Broncopneumopatia Crônica Obstrutiva), as bronquiectasias aparecem como a terceira doença crônica das vias aéreas mais comum — e, apesar disso, seguem frequentemente desprezadas nas conversas sobre saúde respiratória. Como um jardineiro que descobre problemas nas raízes após ver folhas amareladas, quem convive com essa condição muitas vezes percebe o impacto apenas quando o dano já avançou.
As bronquiectasias são uma doença pulmonar inflamatória, crônica e progressiva, caracterizada por uma dilatação permanente e espessamento das vias aéreas. Esse quadro estabelece um círculo vicioso: a alteração estrutural favorece infecções repetidas, que por sua vez intensificam a inflamação e promovem danos irreversíveis ao tecido pulmonar. O resultado é uma queda na qualidade de vida, episódios de crises respiratórias e um fardo significativo para as pessoas afetadas.
Para lançar luz sobre o enquadramento clínico e epidemiológico da doença, sobre o burden que representa para pacientes e familiares e sobre as opções terapêuticas disponíveis, a empresa farmacêutica Insmed organizou um media tutorial em Milão. O encontro reuniu especialistas que reforçaram a necessidade de diagnóstico precoce, acompanhamento multidisciplinar e de estratégias personalizadas para o controle das exacerbações.
Do ponto de vista prático, o manejo das bronquiectasias privilegia cuidar da via aérea como quem cultiva um campo: é preciso limpar, proteger e evitar que a terra se desgaste. Protocolos incluem técnicas de higiene brônquica, fisioterapia respiratória e, quando indicado, tratamento antimicrobiano para controlar as infecções. Além disso, a vigilância regular e a vacinação são medidas preventivas que ajudam a reduzir eventos agudos. Em casos selecionados, intervenções mais dirigidas podem ser consideradas por equipes especializadas.
Apesar dos avanços, permanece um desafio: a consciência pública e clínica sobre a doença ainda é limitada. Muitas pessoas convivem com sintomas crônicos — tosse, produção de escarro, fadiga — sem receber um diagnóstico claro. Isso reforça a importância de jornadas de educação, de centros de referência e de políticas que facilitem o acesso a exames de imagem e a apoio multidisciplinar.
Como observador sensível da vida cotidiana, vejo nas ruas das cidades italianas a respiração da comunidade: quando o ar e os cuidados se alinham, há um ritmo mais leve; quando faltam diagnóstico e atenção, a respiração humana se torna mais tensa, como um inverno que demora a ceder. As bronquiectasias nos lembram que o corpo guarda memórias do que viveu — infecções e inflamações deixam marcas profundas — e que a colheita dos hábitos saudáveis é essencial para proteger os pulmões ao longo do tempo.
É preciso cultivar uma nova estação de atenção: diagnóstico mais rápido, tratamento adequado, reabilitação respiratória e, sobretudo, empatia no cuidado. Eventos como o media tutorial em Milão são passos importantes nessa direção, trazendo especialistas, pacientes e mídia para dialogar e transformar conhecimento em cuidado real. Sou Alessandro Vittorio Romano, e convido você a olhar para a saúde respiratória com a mesma curiosidade e carinho com que se observa uma paisagem em mudança.






















