Por Alessandro Vittorio Romano — A partir de amanhã, a cidade de Parma se transforma em um pequeno laboratório vivo onde a tecnologia conversa com o cuidado humano. Na Sala Congressi do Padiglione Centrale 6 da Azienda ospedaliero-universitaria di Parma terá início a ParmAI Week 26, encontro que reúne mais de 200 profissionais de saúde de toda a Itália para discutir como a inteligência artificial (IA) pode aperfeiçoar a medicina perioperatória.
Sob a direção científica de Elena Bignami — presidente da Sociedade Italiana de Anestesia, Analgesia, Rianimazione e Terapia Intensiva (Siaarti) e direttrice dell’Uoc II Anestesia e Rianimazione dell’Aou Parma —, junto a Valentina Bellini e Paolo Del Rio, o congresso coloca no centro um conceito que gosto de traduzir como “inteligência humana com suporte artificial”: a ideia de combinar a sensibilidade clínica com algoritmos preditivos e ferramentas digitais para uma medicina cada vez mais personalizada.
O evento, acreditado ECM pela Siaarti, conta com o patrocínio da Regione Emilia-Romagna, da Università degli Studi di Parma (Rettore Martelli), da Aou di Parma (diretta A. Campagna) e de sociedades científicas como Fism, Sic, Sihta, Aiic e Choosing Wisely Italy. Esse mosaico de apoios reflete bem a natureza interdisciplinar do tema: aqui tecnologia, cirurgia e anestesiologia dialogam como estações que se influenciam.
Segundo Bignami, “o futuro da medicina passa pela integração entre competências humanas e novas tecnologias, como os algoritmos preditivos”. O foco, explica, será demonstrar de que forma a IA e as inovações tecnológicas podem melhorar a rotina nos diversos âmbitos clínicos anestesiológicos, aumentando a precisão das previsões e reduzindo o erro humano. Serão apresentados casos reais de uso de inteligências preditivas e generativas, além de ferramentas como telemedicina, dispositivos vestíveis e o emprego de gêmeos digitais.
Há ainda espaço para temas que me interessam como observador das relações entre ambiente e bem-estar: formação profissional, ética da integração dos dados de saúde e o emergente conceito de Green AI, pensado para reduzir o impacto ambiental das soluções digitais. Em palavras de Bellini, “com a integração crescente entre IA e dados pessoais de saúde, torna-se estratégico promover sistemas de saúde digital públicos, transparentes e integrados, por exemplo com o Fascicolo Sanitario Elettronico”.
O momento também é marcado por novidades do mercado: notícias recentes sobre funções do ChatGPT voltadas ao suporte à saúde reforçam a necessidade de estruturas públicas que ajudem a regular e integrar essas ferramentas no cuidado cotidiano. Em resumo, Parma será um terreno de colheita de ideias — um espaço onde se plantam referências práticas para que a tecnologia sirva ao cuidado, e não o contrário.
Se você caminha entre a curiosidade e o compromisso profissional, encontrará na ParmAI Week 26 um mapa para navegar o futuro próximo da anestesia e da cirurgia: rotas que misturam precisão técnica, sensibilidade humana e respiram como a própria paisagem da Itália — feita de ciclos, raízes e pequenos desabrochares de inovação.






















