Por Alessandro Vittorio Romano — Em meio ao vai e vem das ruas de Milão, onde a cidade respira em ritmo de preparação para as Olimpíadas e Paralimpíadas de 2026, uma mensagem clara emerge dos corredores do 27º congresso nacional da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia (SINPF): o esporte deixará de ser um conselho vago e passará a integrar, com rigidez clínica, os protocolos terapêuticos para ansiedade e depressão.
Não se trata aqui apenas de fortalecer músculos, mas de tocar os circuitos íntimos do cérebro — as sinapses e os mensageiros químicos que modulam o humor. Segundo os presidentes da SINPF, Matteo Balestrieri e Claudio Mencacci, a literatura científica recente demonstra que o movimento age sobre sistemas dopaminérgicos e serotoninérgicos com uma eficácia que já não podemos ignorar. Em outras palavras, a prática regular de atividade física tem efeito farmacológico mensurável sobre transtornos do humor.
O apelo feito aos especialistas é simples e poderoso: prescrever exercício com a mesma sistematicidade de um medicamento. Essa mudança de paradigma propõe que o plano terapêutico de pacientes com ansiedade ou depressão inclua rotinas de movimento claras, monitoradas e individualizadas — assim como uma dosagem e um acompanhamento clínico.
As evidências reunidas nos últimos meses traçam uma linha nítida entre sedentarismo e patologia psiquiátrica. Para jovens e adultos, a colheita dos hábitos ativos tem frutos que vão além do corpo: melhora do sono, regulação do apetite, aumento da resiliência emocional e maior integração social. No caso dos adolescentes, frequentemente navegando entre tempestades hormonais e pressões sociais, a prática esportiva pode funcionar como um porto seguro — um exercício de respiração para a mente.
Como observador atento das estações da cidade e dos ritmos do bem-estar, vejo nesta orientação da SINPF uma proposta que ressoa com os ciclos naturais do corpo: assim como o solo precisa de cultivo para dar frutos, o nosso tempo interno requer movimento para florescer. A proposta de tratar o esporte como parte integrante do tratamento psiquiátrico é, antes de tudo, uma afirmação de que o cuidado com a saúde mental pode e deve ser experiencial — ancorado em gestos simples, mas regulares.
Praticar atividade física prescrita não significa transformar a vida num regime austero. Significa desenhar hábitos contínuos, adaptados às possibilidades de cada pessoa, que atuem na biologia do humor: estimular a liberação de dopamina e serotonina, promover neuroplasticidade e reduzir a resposta exagerada ao estresse. Em termos práticos, pode envolver caminhadas programadas, exercícios aeróbicos de intensidade moderada, atividades em grupo ou rotinas de fortalecimento muscular — sempre com orientação profissional.
Ao terminar o congresso em Milão, fica o convite: ver o movimento não como luxo, mas como remédio. Para os clínicos, a recomendação é transformar esse conhecimento em protocolo; para as cidades, a missão é facilitar acessibilidade a espaços que permitam esse movimento; e para cada um de nós, o desafio é aceitar a prescrição da vida cotidiana: mover-se para cuidar da mente.






















