Por Aurora Bellini — Em um gesto que ilumina caminhos e semeia compaixão, um bassotto chamado Ollie escapou da execução por eutanásia graças ao firme “não” de um veterinário. Nascido com problemas oculares e cego de um olho, o cão havia sido rejeitado pelo dono que, incapaz de vendê-lo por causa da sua condição, levou-o à clínica com a intenção de sacrificá-lo. O profissional, no entanto, recusou-se a assinar a eutanásia e providenciou a remoção do animal, entregando-o a uma associação especializada em resgates de bassotti na Flórida.
Foi nessa associação que aconteceu o encontro transformador. Morgan, hoje tutora de Ollie, visitou o abrigo junto com o marido em busca de adotar um cão — sem preferência por idade ou condição de saúde — e se apaixonou imediatamente pelo pequeno. Em um relato compartilhado no TikTok, ela contou como Ollie conquistou a família desde o primeiro momento: “Não sabíamos o que esperar, mas quando o vimos foi amor à primeira vista”.
A adaptação não foi isenta de desafios. Ollie nasceu com glaucoma, uma condição ocular grave que, ao contrário do que se poderia imaginar, o novo dono original havia resolvido com a intenção de eutanasiá-lo em vez de procurar cirurgia. Morgan descreve a jornada do cão como uma lição de resiliência: “Ollie não se deixou parar. Ele aprendeu a viver guiado pelo olfato e pela audição. Às vezes trombava em objetos quando se empolgava, mas isso raramente atrapalhava sua rotina”.
Além de celebrar a recuperação do animal, Morgan usa a história de Ollie para alertar sobre as consequências da reprodução imprudente. O cão é da linhagem conhecida como double merle, resultado do cruzamento de dois pais portadores do gene merle. Essa combinação pode gerar filhotes com pelagem e olhos muito claros, mas também aumenta o risco de problemas severos, como surdez, defeitos cardíacos e cegueira, como ocorreu com Ollie.
Ao transformar uma tentativa de apagar uma vida em um renascimento afetivo, a história de Ollie convida a uma reflexão serena e luminosa sobre responsabilidade e ética na criação de animais. É um chamado para adoção conscientizada e para práticas de reprodução que coloquem o bem-estar em primeiro plano.
Hoje, Ollie vive em um lar onde aprendeu a confiar novamente, explorando a casa com a segurança que só o afeto humano pode oferecer. A sua trajetória — do risco de eutanásia à segurança de uma família amorosa — ilumina o potencial de mudança quando pessoas e profissionais optam pela vida. Que essa história inspire outros a cultivar valores e a apoiar lares seguros para animais vulneráveis.






















