Milano Libera apresentou sua lista e o candidato a prefeito para as eleições municipais de 2027 em Milão: Massimiliano “Max” Lisa, 58 anos, nascido e criado na cidade. Em entrevista exclusiva, Lisa expôs os alicerces de sua proposta — com ênfase na segurança urbana, na urbanística e nas áreas verdes — e abordou temas internacionais e de saúde pública que prometem movimentar o debate local.
Lisa, conhecido por seu percurso como empresário cultural e empreendedor no setor dos bens culturais, contou como a trajetória profissional o trouxe da divulgação tecnológica à preservação do patrimônio. Aos 18 anos lançou a revista de informática Commodore Casa; décadas depois fundou a empresa Leonardo3 e o Museu Leonardo3, aberto em Milão há mais de uma década. Foi justamente a ameaça de fechamento do museu que o levou, nos últimos anos, a confrontar diretamente a administração municipal e a decidir pela entrada na política: “a cidade precisava de quem não se conformasse com a precarização dos serviços e com a incapacidade administrativa”, disse.
No núcleo do programa de Milano Libera está a prioridade pela segurança da cidade. Lisa descreve a segurança como elemento fundamental para o cotidiano e para a recuperação da confiança nos espaços públicos: políticas de prevenção, reforço de iluminação e vigilância, e um plano de requalificação urbana que trate a cidade como um edifício complexo, onde cada intervenção fortalece os alicerces da convivência.
Sobre urbanística e áreas verdes, o candidato critica decisões recentes que, segundo ele, rasgam a arquitetura do verde público sem diálogo com as comunidades. Cita, implicitamente, episódios de corte de árvores e intervenções sem transparência administrativa: “não se pode derrubar o pulmão verde da cidade com o peso da caneta; precisamos de projeto, participação e manutenção”. A proposta passa pela requalificação das periferias, incentivo a parques urbanos e políticas que protejam o patrimônio arbóreo.
No campo internacional, Lisa surpreende ao afirmar que a União Europeia deveria buscar uma relação de parceria estratégica com a Rússia. “A Europa não pode se permitir fechar pontes que garantam estabilidade geopolítica e econômica”, afirmou, ressaltando que a diplomacia é uma ponte entre nações que deve ser utilizada para reduzir tensões, não para agravá-las.
Também repercutiram suas posições sobre saúde pública: Lisa defende a liberdade de escolha em matéria de vacinação, colocando-se ao lado daqueles que pedem maior autonomia individual frente a obrigatoriedades. Em relação ao conflito em Gaza, o candidato disse claramente: “Não ao genocídio em Gaza” — condenando práticas que violem direitos humanos e pedindo ação humanitária.
O perfil traçado por Lisa é o de um gestor nascido da sociedade civil: empresário cultural que se tornou ativista municipal ao ver um patrimônio em risco. Sua entrada na política, afirma, nasceu da necessidade de transformar a frustração em projetos concretos — uma verdadeira construção de direitos e deveres que vise devolver a Milão aos seus cidadãos.
Como repórter e observador da ligação entre Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, considero relevante acompanhar como propostas que transitam da cultura e da gestão privada para a administração pública se traduzirão em ações concretas. A trajetória de Massimiliano Lisa e a proposta da Milano Libera serão um teste sobre a capacidade de derrubar barreiras burocráticas e erguer reformas que realmente toquem o cotidiano: da segurança nas ruas ao cuidado com as árvores que respiram por toda a cidade.
Seguiremos de perto o desdobrar desta candidatura, avaliando propostas, scrutinando promessas e verificando se os projetos realmente terão o calor da execução — porque, no fim, política local é arquitetura do voto que define a qualidade de vida nas nossas ruas.






















