Por Alessandro Vittorio Romano – Em um gesto que lembra a respiração coletiva de uma cidade cuidando de seus próprios ritmos, o Ministério da Saúde, em parceria com a Società Italiana Sistema 118 (SIS 118), apresentou hoje as novas linhas‑guia para a ressuscitação cardiopulmonar e o uso do defibrilador pela população adulta e pediátrica.
O documento nasce com a ambição clara de alcançar não só os profissionais de saúde, mas também os habitantes comuns — vizinhos, comerciantes, professores, caminhantes — que, com um gesto treinado, podem mudar o curso de uma emergência. Como observou o presidente da SIS 118, Mario Balzanelli, “após um parada cardíaca súbita, cerca de 60.000 pessoas por ano perdem a vida” na Itália. Esse número é a chamada para uma colheita de hábitos: ensinar, replicar, manter vivo o saber prático que salva.
As linhas‑guia foram desenhadas para garantir um suporte didático homogêneo em todo o território nacional. Haverá materiais e protocolos padronizados, que ficarão à disposição dos centros acreditados para a formação e o treino de todos os cidadãos interessados em adquirir competências básicas de reanimação — competências que, em muitos casos, significam a diferença entre a vida e a morte.
O documento é dirigido principalmente às Regiões, às Centrais Operativas 118 e aos Centros de Formação acreditados. A ideia é que essas estruturas se tornem pontos de referência, não apenas técnicos, mas também sociais: pequenas clareiras educativas na paisagem urbana onde se aprende a reconhecer uma emergência, iniciar a ressuscitação cardiopulmonar e usar o defibrilador com segurança e rapidez.
Aprender a usar um desfibrilador automático externo (DAE) ou saber as manobras básicas de reanimação é como aprender a ler os sinais do corpo de uma cidade — ouvir o pulso do outro e responder com prontidão. A uniformização das práticas formativas, indicada pelas linhas‑guia, evita disparidades regionais e ajuda a criar uma cultura de prevenção contínua.
Para o público, isso significa acesso facilitado a cursos, simuladores e materiais didáticos padronizados; para os profissionais do 118 e para os centros de formação, significa uma malha comum de qualidade e responsabilidade. Ao final, o objetivo é simples e humano: multiplicar as mãos e os corações capazes de intervir quando o ritmo vital de alguém vacila.
Como observador atento à relação entre ambiente e bem‑estar, vejo nessas recomendações uma semente prática que pode germinar em ruas mais seguras e em um cotidiano mais atento. Treinar cidadãos não é só preparar para o inesperado; é plantar uma rede de solidariedade — a respiração sincronizada de uma comunidade que se reconhece responsável pelo bem do outro.
As novas linhas‑guia estão agora disponíveis e serão a base para programas a serem implementados pelas autoridades regionais e pelos centros acreditados. O convite é claro: participar da formação é aceitar ser parte ativa de uma teia de cuidado, onde cada gesto ensinado pode preservar uma existência.






















