Por Chiara Lombardi — A transformação pública de Giulia De Lellis em mãe é um espelho do nosso tempo: uma narrativa íntima que se desenrola em plataformas públicas, onde afetos e dúvidas viram pauta. Recentemente, a influencer — que se tornou mãe da pequena Priscilla — reapareceu nas redes sociais após uma visita ginecológica para deixar um recado sobre prevenção e dividir um episódio que a tocou profundamente.
No vídeo, Giulia De Lellis começa lembrando a importância da prevenção entre as mulheres, uma chamada que combina cuidado pessoal e responsabilidade coletiva. Em seguida, ela se abre sobre pequenas rigidezes cotidianas da maternidade: “Se tenho maquiagem no rosto, não consigo tocar minha filha”, confessou — uma imagem que revela a intensidade do vínculo e a ansiedade em querer oferecer apenas o mais puro e cuidadoso ao bebê.
Mas o ponto que reverbera como um reframe cultural foi a fala sobre a sensação de culpa. Giulia admitiu que sofre ao ser obrigada pelo trabalho a se afastar da filha. “Sei que é uma fase passageira, sobretudo no começo e com o primeiro filho. Eu sei, mas por ora sofro pra morrer; isso, por mais que se diga, me deixa muito mal”, desabafou. Trata-se de um sentimento familiar a muitas mães contemporâneas — a tensão entre carreira, identidade pública e intimidade familiar.
O que alterou o roteiro desse conflito foi a intervenção do ginecologista. Segundo a influencer, o médico disse algo simples e devastador em sua honestidade: não importa a quantidade de tempo que se passa com os filhos, mas a qualidade do tempo. A frase a comoveu a ponto de quase fazê-la chorar. É uma mensagem que atua como um tensor emocional — reduzindo a pressão do relógio e deslocando o foco para a presença afetiva.
Enquanto observadora cultural, vejo nessa fala um ecosistema narrativo: a maternidade hoje é performada, compartilhada e julgada em tempo real. O conselho do médico funciona como um pequeno corte de montagem em um filme social; ele nos convida a reavaliar a métrica com que medimos o amor e a responsabilidade. Não se trata de minimizar o conflito entre trabalho e cuidado, mas de alterar a lente através da qual avaliamos o dia a dia.
Ao final, Giulia reforçou seu apelo pela prevenção — um gesto que mistura saúde pública e intimidade pessoal — e nos deixou uma imagem de vulnerabilidade que dialoga com muitas mulheres: ser mãe é, entre outras coisas, aprender a perdoar-se e a buscar significado na presença qualitativa.
Em um tempo em que cada gesto materno pode virar manchete, essa declaração nos pede reflexão: como calibramos nossas expectativas? Como (re)definimos o que importa no roteiro da família contemporânea? A resposta, talvez, resida menos nas horas contadas e mais nos minutos desenhados com atenção.






















