Por Alessandro Vittorio Romano — Como a respiração lenta de uma manhã de primavera, a amamentação desenha um ritmo que afeta corpo e cidade. O primeiro episódio do vodcast Le 6 A – La salute si costruisce da piccoli, produzido pela Adnkronos em colaboração com a Società Italiana di Pediatria (Sip), já está disponível no YouTube, Spotify e na seção Podcast de adnkronos.com, e lembra que o leite materno é muito mais que alimento imediato: é um verdadeiro investimento para o futuro.
Os dados do Istituto Superiore di Sanità alarmam: embora as recomendações indiquem o contrário, aos 4–5 meses de vida apenas cerca de 3 em cada 10 mães ainda amamentam exclusivamente. E isso num país em que o início da amamentação costuma ocorrer no próprio hospital — o que mostra que, mais do que informação, são necessárias práticas e políticas concretas para sustentar a colheita desse hábito.
Segundo a pediatra Elena Scarpato, membro do conselho da Sip, os benefícios do aleitamento são muitos e robustamente documentados. Do ponto de vista nutricional, o leite materno é o alimento ideal: reduz infecções (como otites e infecções das vias respiratórias superiores) e traz vantagens a longo prazo, com menor risco de asma e obesidade nos primeiros anos de vida. Para a mãe, o aleitamento diminui o risco de diabetes tipo 2, hipertensão e certos tipos de câncer, além de favorecer a perda do peso adquirido na gravidez. Há ainda um efeito econômico e ambiental: o aleitamento materno custa menos que fórmulas artificiais, reduz despesas em saúde no futuro e tem menor impacto ambiental. E, como numa colheita bem cuidada, existe uma relação dose-efeito: quanto mais prolongado, maiores os ganhos ao longo da vida.
O neonatologista Guglielmo Salvatori, do hospital Bambino Gesù e coordenador do Tavolo tecnico Sip sobre amamentação, ressalta que as contraindicações reais são poucas. A maior parte dos medicamentos de uso comum — antipiréticos, analgésicos e a maioria dos antibióticos — é compatível com a amamentação. Embora muitos fármacos passem para o leite materno, as quantidades costumam ser mínimas e o risco para o bebê é reduzido.
Porém, como observa Riccardo Davanzo, presidente da Comissão de Amamentação da Sociedade Italiana de Neonatologia, fatores sociais, econômicos e pessoais influenciam a prática. O começo costuma acontecer em hospital, portanto é essencial que nos pontos de nascimento se apliquem práticas pós-natais eficazes. Leis, convenções e projetos existem, mas frequentemente ficam no papel: é preciso empenho real dos diretores de serviço, com metas claras e auditáveis.
O episódio do vodcast também enfrenta os falsos mitos que cercam a amamentação — desde a ideia de que a mãe não produz leite suficiente até dúvidas sobre medicamentos e alimentação materna —, oferecendo orientações práticas e serenidade para famílias que buscam nutrir seus filhos com segurança.
Em suma, olhar para a amamentação como uma política de saúde pública é olhar para as raízes do bem-estar coletivo. Como num jardim que regamos na estação certa, o cuidado inicial com a nutrição e o vínculo desde os primeiros dias rende frutos ao longo da vida: menos doenças, economia para as famílias e para o sistema de saúde, e uma paisagem humana mais saudável. Ouvir os especialistas neste vodcast é colher saberes que ajudam a transformar recomendações em gestos concretos do cotidiano.





















