Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma sala que respira conhecimento como uma cidade ao amanhecer, o professor Stefano Aliberti traçou um quadro claro sobre as bronquiectasias e a necessidade de tratá‑las como um mosaico clínico, não como uma peça isolada. Participando do encontro promovido pela farmacêutica Insmed, em Milão, Aliberti — professor de Doenças do Aparelho Respiratório na Humanitas University e diretor da UO de Pneumologia do IRCCS Humanitas Research Hospital, em Rozzano (Mi) — lembrou que esta é uma condição complexa em diagnóstico, etiologia, microbiologia e reação inflamatória, o que exige cuidado integrado.
“O approccio multidisciplinare na gestão das bronchiectasias é fundamental. Trata‑se de uma patologia complexa… complexa também na sua gestão”, afirmou Aliberti. Para ele, o pneumologista atua como líder e organizador do percurso de cuidado, mas a equipe precisa ser ampla: ao lado do pneumologista, o fisioterapeuta respiratório tem papel central porque a desobstrução das vias aéreas e a remoção do escarro são os primeiros passos para controlar a doença. Na falta do fisioterapeuta, é essencial que o pneumologista, o enfermeiro e outros profissionais de saúde saibam ensinar e apoiar o paciente nas técnicas corretas de eliminação das secreções.
Do ponto de vista epidemiológico — como quem lê as linhas de uma paisagem em mudança — Aliberti lembrou que, na Itália, a prevalência estimada das bronchiectasias é de cerca de 160 adultos por 100 mil. “Esses números provavelmente estão subestimados por razões diagnósticas e de organização das redes administrativas; esperamos ver um aumento nos próximos anos, mas já hoje é evidente que se trata da terceira doença respiratória crônica, após a DPOC e a asma, e que precisa de mais atenção”, disse ele.
O time multidisciplinar vai além do pneumologista e do fisioterapeuta: otorrinolaringologistas, imunologistas e radiologistas são necessários para investigar com precisão casos concomitantes, como a rinosinusite crônica, estudar detalhes radiológicos (por exemplo, as artérias brônquicas) ou identificar causas etiológicas como déficits imunológicos primários. Outros especialistas frequentemente integrados ao percurso terapêutico são gastroenterologistas e nutricionistas, que cuidam da base metabólica e digestiva do organismo. E, de modo sensível, Aliberti lembrou que a presença de psicólogos e psiquiatras é indispensável, porque o impacto das bronchiectasias na qualidade de vida, no sono e no estado emocional dos pacientes exige cuidado da saúde mental, tão importante quanto o tratamento físico.
Além do diagnóstico e do manejo clínico atual, o encontro em Milão abordou também as novas opções terapêuticas em desenvolvimento — uma pequena promessa de primavera para pacientes que há muito caminham no inverno crônico da doença. Aliberti sublinhou que educação do paciente, técnicas de fisioterapia respiratória e coordenação entre especialistas são hoje pilares tão decisivos quanto os medicamentos: como quem poda uma árvore para que floresça melhor, a remoção do muco e o suporte contínuo criam terreno para tratamentos mais eficazes.
Em resumo, a mensagem que ecoou na reunião foi clara: a abordagem multidisciplinar não é apenas recomendação, é necessidade. Profissionais de saúde devem estar preparados para ensinar e apoiar a desobstrução das vias aéreas, trabalhando em rede para transformar o manejo das bronquiectasias em um percurso integrado, humano e efetivo — um cuidado que respeita tanto a respiração do corpo quanto a respiração da cidade onde esse corpo vive.






















