Roma, 27 de janeiro de 2026 — Projeções da Manageritalia, cruzadas com os dados mais recentes do INPS 2024, mostram que em 2025 os dirigentes privados na Itália ultrapassaram pela primeira vez a marca de 134 mil. No mesmo período, a presença feminina nesse nível hierárquico atingiu mais de 23%, outro recorde segundo as apurações.
Os números resultam de um aumento composto: os dirigentes privados do terciário cresceram 3,2% em 2025, enquanto o universo total dos dirigentes privados subiu 2%. A evolução feminina é contínua — de 21,9% em 2023 para 22,7% em 2024, alcançando agora os 23%.
O crescimento longo prazo também é destacado nas estimativas: desde 2008 houve um acréscimo de 12,4% para todos os dirigentes privados e um salto de 53% quando se considera apenas os dirigentes do terciário. Parte dos dados foi obtida por meio do cruzamento de fontes e da verificação dos arquivos públicos do INPS e das bases estatísticas de Manageritalia.
Apesar do avanço, o quadro revela fragilidades estruturais. A Itália conta com menos de um dirigente (0,9) por cada cem empregados no setor privado, patamar bem inferior aos 2 a 3 dirigentes observados em Alemanha, França e Espanha. O déficit concentra-se sobretudo nas pequenas e médias empresas: apenas 30% das empresas familiares italianas contam com gestores externos — comparados a cerca de 80% nos países europeus mais competitivos.
Em declaração oficial, Marco Ballarè, presidente da Manageritalia, afirmou que “os dados confirmam uma tendência positiva para a dirigenza privata italiana, inclusive no que diz respeito às mulheres. Porém persiste um gap estrutural que freia a competitividade do país: o ponto crítico é a fraca managerialização das nossas PMI. Trata-se de um hiato não apenas organizativo, mas cultural, que precisamos colmatar para crescer, inovar e competir”.
Ballarè acrescentou que o caminho a seguir passa por concentrar esforços em setores de alto valor agregado e por reforçar competências gerenciais: “Para aumentar inovação, produtividade e salários é preciso mais managerialità. O compromisso da Manageritalia é apoiar esse percurso, promovendo competências, cultura gerencial e inclusão — fatores decisivos para o desenvolvimento e para abrir espaço aos jovens e suas qualificações”.
O diagnóstico extraído das projeções é claro: o crescimento dos dirigentes privados é um dado encorajador, mas insuficiente para aproximar a Itália das taxas de managerialidade dos principais parceiros europeus. A diferença de práticas de governança entre empresas familiares e sociedades mais profissionalizadas continua a ser um entrave relevante.
Esta análise foi produzida com base nas elaborações internas da Manageritalia e nos dados INPS disponíveis até 2024, com verificação cruzada e foco na apresentação de fatos brutos e verificáveis. A evolução para os próximos anos dependerá sobretudo da capacidade do sistema empresarial italiano de integrar gestores externos e de promover uma cultura que valorize funções de direção como vetor de competitividade.




















