Em um marco significativo para a modernização das forças terrestres italianas, foram entregues hoje os primeiros quatro exemplares do Lynx KF-41 ao Exército Italiano. Um quinto veículo da série é esperado em breve, dentro do contrato inicial que prevê a aquisição de 21 blindados. A iniciativa é fruto da parceria industrial entre Leonardo e Rheinmetall, com cerca de 60% da produção realizada em solo italiano e o restante na Alemanha.
A cerimônia de apresentação ocorreu no Centro Polifunzionale di Sperimentazione dell’Esercito (CEPOLISPE), em Montelibretti, e contou com a presença do ministro da Defesa, Guido Crosetto; do Chefe do Estado-Maior da Defesa, general Luciano Portolano; e do Chefe do Estado-Maior do Exército, general de corpo d’armata Carmine Masiello. Representando a indústria, participaram Roberto Cingolani, CEO da Leonardo, Bjorn Bernhard, responsável pela divisão Vehicle System Europe da Rheinmetall, Laurent Sissmann, CEO da joint venture, e David Hoeder, presidente executivo.
Durante a apresentação, dois veículos realizaram manobras demonstrativas, destacando a mobilidade e as capacidades de combate do novo blindado. O Lynx KF-41 servirá como plataforma-base para o desenvolvimento do sistema designado A2CS (Army Armoured Combat System), que em múltiplas variantes pretende entregar capacidades alinhadas aos desafios operacionais modernos e materializar o conceito de cooperative combat. Em outras palavras, trata-se de uma arquitetura modular que permitirá diferentes configurações e roles operacionais.
O programa também consolida o percurso de modernização já em curso na componente terrestre, com o CEPOLISPE atuando como polo de experimentação e validação para veículos e sistemas de armas de interesse do Exército. O novo veículo de combate será, assim, a base para uma família ampliada de plataformas, cada uma calibrada para funções específicas.
O general Carmine Masiello resumiu o momento como um ponto de partida: “O Lynx é um sistema que mudará radicalmente o modo de combater do Exército. Estamos orgulhosos. Hoje colocamos a primeira pedra nesta direção. Mas há ainda muito a fazer. Pedimos à indústria que continue a melhorar a relação com o Exército — e claramente não basta: devemos correr mais”. A mensagem é clara: entre a visão e a capacidade operacional, é preciso acelerar a execução.
Do ponto de vista estratégico e industrial, o embarque do Lynx KF-41 representa tanto um ganho operacional quanto um estímulo à cadeia de abastecimento nacional — um equilíbrio entre soberania produtiva e cooperação tecnológica europeia. A participação de 60% da produção em território italiano não é apenas estatística; é um motor para competências locais, empregos qualificados e transferência de tecnologia. Como estrategista, vejo aqui uma calibragem de políticas e processos industriais que devem ser mantidos e acelerados, retirando possíveis freios administrativos e logísticos que atrasem entregas e integração sistêmica.
Em suma, a chegada dos primeiros Lynx KF-41 ao Exército Italiano é um passo decisivo — a estrutura está montada, o motor da modernização foi ligado. Agora cabe à indústria, aos planejadores e às lideranças manter a aceleração para traduzir capacidade em dissuasão e prontidão operacional.






















