Por Aurora Bellini, Espresso Italia
O ministro do Esporte e Juventude, Andrea Abodi, reafirmou que a luta contra o antissemitismo é um pilar essencial para este Governo ao apresentar as iniciativas, com patrocínio da Presidência do Conselho, em torno do Dia da Memória. Ao lado de Noemi Di Segni, presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas, e de Pasquale Angelosanto, coordenador nacional para o combate ao antissemitismo, o ministro descreveu a ação como uma “staffetta sem fim”.
Abodi falou, com voz serena e firme, sobre a importância de semear para o futuro: “Voltamos agora da viagem da Memória com 100 jovens que, pelo terceiro ano consecutivo, procuraram conhecer e compreender o sentido daquela tragédia e assumir novas sensibilidades e consciências. Este é o contraste ao antissemitismo, que se estende a todas as formas de discriminação”.
Para o ministro, o Dia da Memória não é apenas uma data no calendário, mas um compromisso contínuo das instituições: “A Giornata della Memoria representa, para a Presidência do Conselho e para todas as instituições envolvidas, um empenho que deve ser constante, profundo, coordenado, sinérgico e diário. O que a atual cronaca (a imprensa) nos mostra é a necessidade de uma alfabetização contínua. A cronaca destes anos demonstra como a questão do antissemitismo ainda não foi plenamente metabolizada”.
Recordando o passado com precisão moral, Abodi lembrou que 81 anos atrás se manifestou «o ponto mais baixo da humanidade», e advertiu para o risco de confundir essa tragédia com outras; precisão terminológica é condição para honra e aprendizado.
“Devemos continuar a ser corredores de uma staffetta da memória”, disse o ministro, evocando a imagem do revezamento que passa saberes de geração em geração. Abodi destacou que o contato direto — o ouvir atencioso e o intercâmbio de olhares — deixou uma marca profunda nos jovens que participaram da experiência: o contato humano transforma a memória em algo concreto e vivo, e não apenas simbólico.
O ministro insistiu que a celebração não pode ser reduzida a um rito formal. É necessária uma ação coletiva e transversal, envolvendo a escola, a sociedade civil e o mundo institucional, para que a consciência sobre o passado se torne patrimônio do presente e contribua para a construção de um futuro que respeite a dignidade humana. “É uma tarefa que pede lembranças constantes e um trabalho estruturado, para que a memória não se disperse e continue a falar às novas gerações”, afirmou.
Abodi concluiu refletindo sobre a responsabilidade histórica: “Sentimos a necessidade de dar sentido e valor às sofrências do século passado — sofrências de milhões de pessoas que, claramente, ainda não ensinaram definitivamente o respeito pela vida; algo talvez único na história humana”.
Questionado sobre a eventual presença do artista Ghali — conhecido por posições pró-Palestina — nas cerimônias de abertura dos Jogos de Milano-Cortina, o ministro respondeu com ênfase no princípio do respeito: “As características da cerimônia de abertura das Olimpíadas são centradas no respeito. Isso elimina o risco de livre interpretação. A escolha dos artistas está associada à escolha das performances, certamente sobre esse palco, além do percurso pessoal de cada um”.
Como curadora de progresso e voz que busca iluminar novos caminhos, vejo nesta fala a confiança numa memória ativa: semear educação, cultivar lembrança, tecer laços entre gerações — para que a luz do passado ilumine um horizonte límpido de convivência e respeito.






















