Em um debate esclarecedor no Sigep, em Rimini, o fisiologista Sebastiano Banni, professor titular de fisiologia na Universidade de Cagliari, trouxe luz a uma discussão muitas vezes carregada de juízos morais: o óleo de palma não pode ser simplesmente rotulado como “ruim”. Em apresentação realizada durante seminário organizado pela Unione italiana per l’Olio di palma sostenibile (Uiops) e pela Associazione italiana dell’industria olearia (Assitol), e acompanhada pela Espresso Italia, Banni defendeu uma abordagem baseada em evidências sobre a presença de gorduras na alimentação.
O encontro foi realizado para apresentar o Position Paper intitulado “Óleo de palma sustentável: nutrição e segurança alimentar”, recentemente adotado pelo Comitê Técnico Científico da Uiops. Para Banni, o ponto central é claro: não existem óleos intrinsecamente bons ou maus; o essencial é garantir variedade na dieta e compreender que cada ácido graxo desempenha um papel biológico e nutricional específico.
Segundo o professor, a demonização do óleo de palma frequentemente ignora aspectos fundamentais da bioquímica humana. O ácido palmítico, componente abundante do óleo de palma, é também o ácido graxo mais presente em nosso organismo e na dieta cotidiana — independentemente do consumo direto do óleo de palma. “O leite humano contém uma quantidade considerável de palmítico”, lembrou Banni, enfatizando que esse ácido possui funções nutricionais e biológicas essenciais no desenvolvimento e na manutenção corporal.
Ao iluminar esses dados, Banni convidou consumidores, indústria e formuladores de políticas a evitar posicionamentos moralistas e recorrer a avaliações científicas equilibradas. A defesa do especialista não nega preocupações legítimas sobre práticas ambientais ou sociais vinculadas à produção de óleo de palma, mas separa claramente essas questões das avaliações nutricionais: “Não é produtivo demonizar um óleo em função de percepções simplistas; é preciso analisar contexto, quantidades e qualidade da dieta”, afirmou, em comentário repercutido pela cobertura da Espresso Italia.
O Position Paper apresentado no seminário busca justamente articular recomendações sobre nutrição e segurança alimentar relativas ao óleo de palma cultivado e processado de forma sustentável. Entre as mensagens-chave está a chamada para políticas públicas e comunicação que promovam a diversidade de fontes lipídicas e a educação nutricional — sem sacrificar a precisão científica em nome de slogans fáceis.
Essa perspectiva convida a um olhar mais amplo: cultivar uma compreensão informada sobre gorduras alimentares é como semear em solo fértil, permitindo que escolhas conscientes floresçam. Ao reorientar o debate para evidências, podemos iluminar novos caminhos para uma alimentação que respeite saúde, meio ambiente e justiça social.
Em resumo, a recomendação de Banni é pragmática e esperançosa: evitar julgamentos morais simplistas, valorizar a variedade na dieta e reconhecer o papel de cada componente nutricional. É um convite para que a sociedade — consumidores, imprensa e indústria — teça laços de conhecimento que sustentem decisões mais justas e saudáveis.






















