Por Giulliano Martini — A procura de Civitavecchia abriu um inquérito por instigação ao suicídio relacionado à morte dos pais de Claudio Carlomagno, preso sob suspeita de ter cometido o feminicídio da esposa, Federica Torzullo. A medida, confirmada por fonte da investigação, é necessária para autorizar a realização da autópsia nos corpos dos cônjuges encontrados no sábado.
Os dois foram localizados na casa da família, em Anguillara, próximo a Roma, por uma parente que acionou os militares. Os carabinieri que atenderam a ocorrência identificaram sinais consistentes com suicídio por enforcamento. No imóvel, segundo policiais, foi achado um bilhete dirigido ao outro filho em que os motivos do gesto são relatados.
Fontes jurídicas informam que, embora os primeiros elementos apontem para um duplo suicídio, a abertura do procedimento por instigação ao suicídio permite a requisição formal da autópsia e a adoção de medidas cautelares e periciais necessárias para elucidação dos fatos. A casa dos pais foi apreendida pelos carabinieri, por determinação da procura.
No presídio de Civitavecchia, onde permanece detido após confessar ter matado a mulher — ela sofreu 23 facadas —, Claudio Carlomagno está sob vigilância a vista, o mais alto nível de controle para prevenir gestos autolesivos. A direção do estabelecimento informou que o detento recebe acompanhamento médico e psicológico contínuo; as autoridades, porém, mantêm preocupação com a possibilidade de um gesto extremo.
O caso ganhou camadas investigativas: o pai, Pasquale Carlomagno, aparece na ordem de prisão do filho como presencia em um furgão parado em frente à vila do casal entre 7h08 e 7h17 do dia 9 de janeiro, minutos após o crime. Esse fato motivou aprofundamentos sobre seu papel e sobre eventuais cúmplices. Investigadores ressaltam, no entanto, que Pasquale nunca foi formalmente inscrito como indiciado.
A mãe, identificada como Maria Messenio — ex-policial e antiga assessora de Segurança do município, que renunciou ao cargo após a detenção do filho —, e o pai foram, de acordo com vizinhos, tomados pela angústia provocada pela repercussão pública do crime e pelo sentimento de vergonha social. A pressão nas redes sociais e a brutalidade do feminicídio da filha foram mencionadas como elementos que agravaram o estado emocional do casal.
O procurador Alberto Liguori admitiu que, mesmo após a confissão do filho, persistem pontos a esclarecer, entre eles lacunas temporais e eventuais cumplicidades que estão sob apuração. O inquérito em curso incluirá exames toxicológicos, análise do bilhete e perícias técnicas na residência apreendida.
Essa reportagem baseia-se em apuração in loco e no cruzamento de fontes judiciais e policiais. A realidade traduzida aponta para uma sequência trágica: um homicídio seguido pela morte dos pais, que agora será objeto de investigação formal para determinar se houve indução ao suicídio e para consolidar o quadro probatório em torno do feminicídio e das responsabilidades conexas.






















