Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: um homem de 28 anos, de origem norte-africana, morreu atingido por disparo realizado por um policial em Milão, na região da estação de metrô de San Donato Milanese. O episódio ocorreu pouco antes das 18h e as autoridades seguem em investigação para reconstruir com precisão a dinâmica do caso.
Segundo a primeira ricostruzione das equipes coordenadas pelo procurador Giovanni Tarzia, agentes em traje civil realizavam um controle antidrogas no bairro de Rogoredo, área notoriamente associada ao tráfico. Durante a intervenção, os policiais procediam à detenção de um indivíduo que ofereceu resistência quando outro homem, identificado depois como M.A., aproximou-se do local.
De acordo com os inquirentes, os agentes teriam ordenado «alto» ao jovem. Em seguida, M.A. teria empunhado uma pistola que, posteriormente, resultou ser uma arma a salvas (arma de fogueo). Um dos policiais disparou e o jovem foi atingido na cabeça. A vítima foi identificada como um cidadão marroquino de 28 anos, com antecedentes por envolvimento com drogas.
O agente, de cerca de 40 anos, foi interrogado na Questura pelo procurador Giovanni Tarzia. Assistido pelo advogado Pietro Porciani — profissional que já representou diversos membros das forças de segurança — o policial passou a ser investigado por homicídio doloso (omicidio volontario). Fontes judiciais confirmaram que o agente está indagado, mas foi mantido em liberdade provisória (a piede libero).
Em seu depoimento, o policial declarou estar em estado de choque e justificou a ação pelo temor imediato ao ver a arma: “Não pensei em matar. Quando vi a pistola tive medo e atirei”, afirmou ao magistrado. O agente alegou que a identificação de que a arma era falsa não foi possível devido à escuridão e à distância, estimada em cerca de 20 metros.
O caso suscitou posicionamentos políticos. O líder da Lega, Matteo Salvini, manifestou apoio incondicional ao policial: “Estou do lado do policial, sem se e sem mas”, declarou, reiterando a necessidade do pacote de segurança proposto por seu partido. Em nota, a Lega expressou solidariedade às forças em uniforme e pediu que nenhum agente seja lançado “no tritacarne” midiático.
O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, comentou que não pretende presumir sobre a legitimidade ou proporcionalidade do disparo, mas também ressaltou que “não haverá escudos de imunidade” e que as autoridades competentes avaliarão o episódio com serenidade. A declaração buscou equilibrar a exigência de investigação rigorosa com a proteção institucional às forças de segurança.
Os inquéritos prosseguem com a coleta de depoimentos, análise de imagens e perícias balísticas e fotográficas. A cobertura seguirá com atualização dos fatos assim que novos elementos oficiais forem divulgados. Esta é a realidade traduzida em fatos brutos: um jovem morto, um agente indagado, e um processo investigativo em curso para esclarecer se o disparo foi justificável.






















