Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: a investigação reabre foco sobre os computadores no caso Garlasco. A mais recente manobra da defesa de Andrea Sempio visa obter perícias sobre as cópias forenses de dois computadores centrais ao processo — o do suspeito histórico Alberto Stasi e o da vítima, Chiara Poggi — até agora não disponibilizadas aos advogados de Sempio.
O contexto remonta a 2007, quando a navegação no PC de Stasi, os acessos registrados e a organização de pastas foram considerados provas relevantes no julgamento. Hoje, com recursos técnicos superiores aos da época, defesa e peritos trazem novas análises que prometem reavaliar conteúdos, tempos e correlações entre arquivos e acessos.
Os advogados Liborio Cataliotti e Angela Taccia protocolaram notificação às partes e notificaram a Promotoria de Pavia e os defensores da família Poggi e de Stasi sobre a intenção de pedir à juíza para instrução, Daniela Garlaschelli, a instauração de um incidente probatório. Caberá à magistrada decidir se autoriza as verificações técnicas nas imagens forenses dos dois computadores.
A solicitação da defesa chega pouco mais de um ano após a reabertura das investigações sobre Sempio, hoje com 37 anos, alvo de inquérito que poderá resultar em novo processo pelo homicídio de Chiara Poggi em Garlasco, em 2007. A estratégia processual da defesa aponta para a necessidade de acesso a evidências digitais que nunca estiveram sob sua posse formal, para confrontar dados apresentados por outros peritos.
Paralelamente, a questão do DNA voltou a ganhar relevo: vários peritos indicaram achados que justificaram a realização de um amplo incidente probatório genético e datiloscópico, conduzido entre maio e dezembro sob determinação da juíza Garlaschelli. Ainda assim, a defesa de Sempio entende que as análises digitais podem alterar a leitura de outros elementos periciais, incluindo a temporalidade dos acessos e a existência de pastas específicas.
Entre os novos pontos levantados está a alegação de que no PC de Chiara haveria uma pasta protegida por senha — um fato que, se confirmado, pode exigir métodos específicos de análise forense para determinar conteúdo e horários de acesso. Ao mesmo tempo, peritos chamados pela família Poggi relataram que, na máquina de Stasi, foram identificados acessos da vítima, na noite anterior ao crime, a uma pasta onde o então namorado teria catalogado arquivos pornográficos. Essa constatação, segundo os defensores da família, teria relevância para o quadro probatório elaborado à época.
Os peritos mencionados pela defesa da família são Paolo Reale, Nanni Bassetti e Fabio Falleti; a análise técnica sobre manchas e respingos de sangue (BPA) também foi atualizada por meio da “rimasterizzazione” das fotografias da cena do crime — ou seja, um aperfeiçoamento das imagens originais com software moderno, conforme explicou o perito Redaelli em declaração à imprensa. A proposta da defesa de Sempio é que estes novos recursos sejam cruzados com as informações dos discos rígidos para refinar cronologias e confrontar versões.
Em termos processuais, a peça a ser apresentada ao juízo deverá detalhar quais procedimentos forenses são necessários — acesso às cópias forenses originais, verificação de logs, recuperação de pastas protegidas e validação do fluxo de trabalho das perícias anteriores — e justificar por que tais diligências são indispensáveis à defesa e ao esclarecimento pleno dos fatos.
Rigor técnico e transparência são a pauta. A decisão da juíza Garlaschelli será o próximo passo formal: caso aceite o incidente probatório, novas perícias poderão prolongar a fase de instrução, mas também oferecer elementos adicionais ao raio-x do cotidiano do caso, reduzindo ruídos e especulações.
Seguirei acompanhando: cruzamento de fontes e verificação dos atos processuais serão prioridade nesta cobertura.






















