Por Stella Ferrari — As Bolsas europeias abriram em terreno positivo após a assinatura do acordo comercial Índia-UE, um pacto descrito pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como a “mãe de todos os acordos”. A iniciativa criará um mercado integrado de cerca de dois bilhões de pessoas, representando uma mudança estrutural no tabuleiro global de comércio e investimento — um verdadeiro ajuste fino no motor da economia mundial.
Em Milão, o índice avançou cerca de meio ponto percentual, acompanhando a tendência de alta registrada em Londres, Frankfurt e Paris. A leitura inicial dos mercados reflete uma combinação de expectativas por fluxos comerciais ampliados e realocação estratégica de cadeias de valor, fatores que funcionam como uma aceleração de tendências para ativos europeus.
Entre os setores em foco, o setor automotivo merece atenção redobrada. Os dados recentes mostram que, no ano passado, as imatriculações na União Europeia cresceram 1,8%, porém os volumes permanecem substancialmente abaixo dos níveis pré-pandemia. Para a Stellantis, o recuo nas vendas foi de 3,9% em 2025, sinalizando que a recuperação do segmento exige mais do que impulso temporário: demanda por inovação, eficiência industrial e sinergias comerciais para restaurar os níveis anteriores — uma verdadeira calibragem de políticas e estratégias empresariais.
Enquanto isso, as Bolsas asiáticas fecharam em alta, apesar do anúncio do ex-presidente Donald Trump de intenção de elevar tarifas sobre importações da Coreia do Sul de 15% para 25%. Em Seul, o índice Kospi subiu 2,73%; Tóquio e Hong Kong também registraram ganhos, impulsionados por papéis do setor de tecnologia. A resistência dos mercados asiáticos diante de ruídos protecionistas sugere uma robustez na apetência por risco e na expectativa de ganhos setoriais.
O desempenho de Wall Street também foi positivo: ontem o Dow Jones encerrou em alta de 0,64% e o Nasdaq avançou 0,43%, com os investidores assimilaram tanto o impulso geoprodutivo do acordo Índia-UE quanto dados corporativos e macroeconômicos locais.
Notavelmente, prossegue uma corrida sem freios nos preços dos metais preciosos. O ouro permanece firmemente acima de 5.000 dólares a onça e a prata ultrapassou os 100 dólares a onça, ambos atingindo novos recordes históricos. Esse movimento revela uma demanda crescente por ativos de porto-seguro em um contexto de incertezas geopolíticas e ajustes monetários globais — cenário que redefine carteiras e estratégias de hedge.
Em síntese, o acordo Índia-UE atua como catalisador de curto e médio prazo para mercados e setores, mas a consolidação de ganhos dependerá da execução operacional das empresas e da resposta das políticas públicas. Como estrategista, vejo a assinatura como um reengenho nas rotas do comércio global: é preciso afinar a engenharia das políticas econômicas e corporativas para transformar essa oportunidade em crescimento sustentado — sem confundir aceleração com impulso irreversible.






















