Por Chiara Lombardi — Em um momento em que as paixões são consumidas como conteúdo efêmero, a quarta temporada de Bridgerton surge como um espelho que nos pede um ritmo diferente: a lenteza emotiva. Em entrevista à Adnkronos, os protagonistas Luke Thompson e Yerin Ha conversam sobre como a narrativa ambientada na Regency Era inglesa oferece um contraponto ao ritmo acelerado das relações contemporâneas.
Dividida em duas partes — os primeiros quatro episódios chegam à Netflix em 29 de janeiro e os capítulos finais em 26 de fevereiro —, a temporada acompanha o segundo filho bohêmio, Benedict Bridgerton (Thompson). Apesar das pressões da mãe, Lady Violet (Ruth Gemmell), Benedict evita a ideia de se “assentar” até que, em um baile de máscaras organizado pela matriarca, ele é arrebatado por uma misteriosa Dama de Prata. Com a ajuda, ainda que relutante, da irmã Eloise (Claudia Jessie), ele segue pistas que o levam a uma descoberta inesperada.
A jovem atrás da máscara não é de alta sociedade, mas sim a brilhante empregada Sophie Baek (Ha), a serviço da severa Araminta Gun (Katie Leung). Quando o destino os coloca frente a frente novamente, Benedict se vê dividido entre o afeto pela mulher real e a fantasia projetada na Dama de Prata — sem saber que se trata da mesma pessoa.
Para Yerin Ha, a temporada funciona como uma fábula moderna. “Na era das relações usa e joga, precisamos de lenteza emotiva“, afirma. Ha ressalta a importância de reconstruir o tempo do cortejo: “Não é necessário beijar alguém no primeiro encontro. Pode haver intimidade depois de dez encontros. É bonito descobrir as pessoas aos poucos.” Sua Sophie é descrita como uma espécie de Cinderela contemporânea: robusta em identidade, metódica em limites e profundamente autônoma.
Luke Thompson destaca a evolução interna do personagem: “A transformação mais profunda de Benedict Bridgerton acontece ao conhecer Sophie: ele une a vida fantástica com a vida real e cresce por isso”. Thompson reflete também sobre representações masculinas no zeitgeist: Benedict é um homem que foge das prisões identitárias, cuja sexualidade não o define por completo. “Há uma delicadeza nele que frequentemente é rotulada como feminina, mas que o torna ricamente humano”, comenta o ator.
Como crítica cultural, a nova temporada ecoa um tema recorrente do entretenimento: o desejo de reencontrar ritmos mais humanos em uma sociedade acelerada. Em termos semióticos, Bridgerton age como um reframe da realidade moderna — usando trajes e etiquteas da Regency Era para mapear ansiedades e esperanças do público contemporâneo. O romance entre um gentil sonhador e uma mulher trabalhadora ressoa como um roteiro oculto da nossa época, que insiste na necessidade de reconhecimento, tempo e autenticidade.
Para quem busca na tela um espelho do nosso tempo, esta temporada oferece não só intriga e glamour, mas também uma reflexão sobre como construímos vínculos — e sobre a coragem de desacelerar quando o mundo ao redor pressiona pela velocidade.





















