Por Alessandro Vittorio Romano — A recente decisão da Comissão Europeia aprovando a vacina recombinante adjuvada da GSK contra o vírus respiratório sincicial (**Rsv**) para adultos a partir dos 18 anos acende um sinal importante na paisagem da saúde pública. Para o virologista Fabrizio Pregliasco, diretor da Escola de Especialização em Higiene e Medicina Preventiva da Universidade Statale de Milão, trata-se de uma valorização clara do papel da **vacina** na prevenção de infecções respiratórias que, embora muitas vezes associadas à infância, acompanham também o ritmo das estações nos corpos adultos.
O **Rsv** é culturalmente lembrado pela bronquiolite em bebês, mas, como uma maré que não respeita fronteiras etárias, ele circula com relevância também entre os adultos. Muitas vezes manifesta-se com sintomas semelhantes aos da gripe e pode provocar complicações importantes, transformando-se em um coprotagonista discreto das temporadas gripais. Com laboratórios mais sensíveis e uma vigilância ampliada, hoje compreendemos melhor que esse vírus está longe de ser marginal.
Na prática, a ampliação da indicação vacinal a partir dos 18 anos amplia nossa capacidade de prevenção — não para um uso indiscriminado, mas como ferramenta estratégica para grupos de risco. São prioridades: portadores de asma, pessoas com broncopneumopatia crônica, indivíduos imunossuprimidos e, de modo geral, aqueles que já têm a recomendação para a **vacinação antigripal** independentemente da idade. O objetivo prático é reduzir hospitalizações, complicações e formas graves da doença.
Esse novo cenário, no entanto, exige uma resposta organizada das instituições. Pregliasco destaca que o próximo passo essencial é que o Ministério da Saúde italiano e as autoridades competentes atualizem o Pnpv — o Piano nazionale di prevenzione vaccinale — com uma recomendação formal que coloque a vacinação contra o **Rsv** em pé de igualdade com outras estratégias preventivas já consolidadas. Hoje, a Itália, junto a poucos países como Portugal, ainda não tem essa recomendação formal, enquanto várias nações europeias e os Estados Unidos já conduzem campanhas estruturadas.
Há uma sensação de atraso que pesa: a vacina já está registrada na Itália para faixas etárias mais avançadas e grupos de risco, e sociedades científicas nacionais já manifestaram opiniões favoráveis ao uso em pessoas frágeis. A colheita disponível — ciência, registro e recomendações de especialistas — pede que as raízes da prevenção sejam consolidadas no solo de políticas públicas claras.
Como observador atento aos ciclos da saúde e do cotidiano, percebo essa aprovação como um convite para sincronizar o “tempo interno do corpo” com as políticas de proteção coletiva. Não se trata apenas de um calendário de doses: é uma oportunidade para reforçar a cultura da prevenção, traduzindo em práticas organizadas a respiração mais segura das nossas cidades quando chegam as estações frias. Atualizar o Pnpv e promover acesso estruturado à **vacinação** é, em linguagem simples, semear proteção para quem mais precisa.




















