Bruxelas — Os coordenadores dos grupos políticos na comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu não conseguiram chegar a um acordo sobre o eventual congelamento do pacto comercial entre UE-EUA relativo aos dazi. A reunião convocada para decidir se a proposta deveria entrar na ordem do dia — e, caso positivo, quando — terminou sem qualquer resolução. Ficou marcada nova sessão para quarta-feira, 4 de fevereiro, quando os coordenadores deverão atualizar a posição e, se for o caso, votar uma decisão.
Na prática, a comissão parlamentar, por ora, não dá seguimento imediato à decisão tomada em Plenário. A opção de não colocar o acordo na agenda teria um significado político claro: seria interpretada como um forte gesto contra a administração de Trump, um golpe simbólico nas relações transatlânticas que poderia agravar tensões comerciais já latentes.
Nos corredores de Bruxelas, o impasse é lido como um movimento cauteloso no tabuleiro de poder europeu — não um revés irremediável, mas um adiamento que preserva margens de manobra. Como num jogo de xadrez, cada peça (grupo político) calcula riscos e ganhos: colocar o tema em votação agora poderia precipitar uma crise diplomática; adiar permite refinar estratégias e consolidar alianças antes do lance decisivo.
O instrumento em causa concentra-se em matéria técnica, incluindo segurança de alimentos e rações, resíduos de pesticidas e ações coordenadas de monitorização. No entanto, a dimensão técnica não diminui a carga política do dossier: normas sanitárias e fitossanitárias frequentemente funcionam como cortesãos discretos das grandes disputas comerciais, onde se redesenham fronteiras de influência sem necessidade de confrontos abertos.
Uma nova reunião em 4 de fevereiro será, portanto, um momento para calibrar os riscos políticos e as repercussões externas. Se a comissão optar por não pautar a proposta, o movimento terá repercussões na diplomacia com Washington; se decidir avançar, estará lançando um sinal de estabilidade institucional perante os parceiros transatlânticos. Em ambos os casos, a tectônica de poder entre as instituições europeias e a Casa Branca será redesenhada, ainda que de forma sutil.
Como analista, observo que os alicerces da diplomacia europeia permanecem frágeis mas estratégicos: o adiamento revela prudência e busca de consenso interno, uma tentativa de evitar que decisões precipitadas se transformem em vetores de instabilidade. O resultado da próxima sessão dirá se prevalecerá a cautela ou se as forças pró-avaliação técnica do acordo conseguirão mobilizar apoio suficiente para colocar o tema em deliberação formal.
Enquanto isso, assinala-se a necessidade de um diálogo mais articulado entre Executivo comunitário, parlamento e capitais nacionais, para que se evite que uma disputa técnica se transforme em rupturas políticas profundas. A agenda de 4 de fevereiro será, portanto, uma pequena mas potencialmente decisiva partida no grande tabuleiro da política comercial entre UE e EUA.
Marco Severini — Espresso Italia. Análise geopolítica e estratégica.






















