Bruxelas, 26 de janeiro de 2026 — Em movimento destinado a reforçar os alicerces da política comercial e sanitária da União Europeia, a Comissão Europeia instituiu hoje uma task force dedicada a ampliar a capacidade de controles sobre produtos importados no mercado único. A iniciativa visa assegurar que mercadorias vindas de fora do bloco atendam aos mesmos padrões da UE exigidos dos produtores comunitários, com ênfase na segurança alimentar e na saúde animal e vegetal.
O núcleo operacional da recém-criada task force concentrará esforços em três frentes principais: segurança de alimentos e mangimi (ração animal), resíduos de pesticidas e ações coordenadas de monitoramento sobre categorias específicas de produtos importados. Segundo comunicado da Comissão, normas rigorosas em matéria de higiene, segurança dos consumidores e estado sanitário de animais e plantas devem ser aplicadas de forma indiscutível a todos os bens comercializados no território da UE, nacionais ou importados.
À margem do Conselho da UE sobre Agricultura e Pesca, o ministro italiano para Agricultura, Soberania Alimentar e Florestas, Francesco Lollobrigida, enfatizou a necessidade de que “cada parte faça o seu dever”, lembrando que os Estados-membros detêm a responsabilidade operacional pelos controles nos pontos de entrada. “A Itália exige que existam controles pontuais suficientes — o problema não é de números, mas de eficácia”, afirmou. Na sua leitura, não pode entrar no mercado europeu nenhum produto que não respeite os padrões aplicados a agricultores, pecuaristas e pescadores comunitários.
O ministro sublinhou a lógica de reciprocidade presente nos acordos comerciais, citando em especial o acordo com o Mercosur, e advertiu que a concorrência desleal muitas vezes resulta não de ganhos de eficiência, mas do não cumprimento de regras que protegem saúde pública e condições laborais. “O objetivo é parar aquilo que não deve entrar”, declarou Lollobrigida, numa metáfora que desenha um movimento decisivo no tabuleiro da diplomacia comercial.
De Berlaymont, a Comissão explicou que a nova estrutura reunirá competências técnicas tanto dos serviços comunitários quanto das administrações nacionais. A task force terá responsabilidades claras: harmonizar procedimentos de verificação das importações em toda a UE, formular recomendações para ações conjuntas e identificar eventuais lacunas administrativas ou normativas que justifiquem medidas adicionais.
O propósito declarado é coerente com a política de segurança alimentar da UE: assegurar os mais elevados níveis de proteção da saúde humana, animal e vegetal, garantindo alimentos seguros e nutritivos para os consumidores europeus e elevadas normas para os mangimi. Resta agora avaliar, em termos práticos, até que ponto este reforço institucional servirá para tranquilizar o setor agrícola europeu face a pressões competitivas e obrigações decorrentes de acordos internacionais.
Como analista de relações internacionais, observo que a criação desta task force representa um movimento de reposicionamento estratégico: não se trata apenas de uma operação técnica, mas de um reposicionamento diplomático que procura redesenhar fronteiras invisíveis de conformidade no comércio global. Se bem coordenada, a ação pode reduzir as assimetrias que fragilizam produtores europeus; mal executada, poderá transformar-se num novo campo de disputa entre interesses nacionais e regras comuns.
Nos próximos meses caberá à Comissão e aos Estados-membros converter palavras em procedimentos efetivos nos pontos de acesso — portos, aeroportos e fronteiras terrestres — onde se vence, ou se perde, a partida da integridade do mercado único.






















