Por Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia
Uma alimentação que respira a natureza — leve, colorida e baseada em plantas — pode ser um abrigo para os rins. Segundo um amplo estudo liderado pela divisão de nefrologia do Nanfang Hospital, Southern Medical University, em Guangzhou, e publicado no Canadian Medical Association Journal, seguir a dieta planetária EAT‑Lancet está associado a uma redução de cerca de 17% no risco de desenvolver doença renal crônica (DRC).
O trabalho analisou dados da Biobank britânica envolvendo 179.508 participantes entre 40 e 69 anos, acompanhados por uma média de 12 anos. Durante esse período, 4.819 pessoas — ou 2,7% da amostra — desenvolveram DRC. A mensagem que emerge é simples, mas potente: menos alimentos ultraprocessados, menos adição de açúcares e gorduras nocivas, e uma maior presença de frutas e verduras no prato parecem proteger a função renal ao longo do tempo.
Descrever a dieta planetária é convidar para uma colheita de hábitos: prioriza alimentos de origem vegetal, integra grãos inteiros, leguminosas, nozes e sementes, enquanto reduz carne vermelha, produtos ultraprocessados, açúcares adicionados e gorduras saturadas. Foi pensada não apenas para o corpo humano, mas para a sustentabilidade do planeta — um equilíbrio entre a saúde pessoal e a saúde do nosso solo, como se cada refeição fosse um gesto de cuidado coletivo.
A doença renal crônica atinge cerca de 10% dos adultos no mundo e as projeções são severas: estima‑se que, até 2040, a DRC estará entre as cinco principais causas de morte globalmente. Por isso, medidas alimentares que retardem ou reduzam o aparecimento da doença têm impacto direto sobre a qualidade de vida e a carga sobre os sistemas de saúde.
Como explicar, em termos cotidianos, essa relação entre prato e rim? Imagine os rins como uma paisagem que filtra e ordena a corrente da vida; quando a dieta é rica em açúcares e gorduras saturadas, essa paisagem sofre erosão — inflamação, pressão metabólica e estresse oxidativo. Ao contrário, uma dieta rica em fibras, fitoquímicos e micronutrientes, tipicamente encontrada em frutas, verduras e legumes, atua como uma chuva suave que repara e nutre o terreno.
Os autores do estudo usaram questionários alimentares para estimar a adesão à dieta EAT‑Lancet e ajustaram a análise para fatores como idade, sexo, índice de massa corporal, sedentarismo e condições pré‑existentes. Embora estudos observacionais não provem causalidade definitiva, a consistência dos dados reforça a recomendação prática: adotar padrões alimentares baseados em vegetais pode ser uma estratégia viável para proteger os rins.
Para quem busca traduzir essa evidência em hábito, algumas sugestões sensíveis ao ritmo do dia a dia italiano (ou de qualquer cozinha consciente): comece o dia com aveia, frutas e nozes; troque parte da carne por leguminosas em saladas e ensopados; eleja vegetais sazonais como protagonistas do prato; reduza bebidas açucaradas e alimentos processados; prefira gorduras insaturadas (azeite extra‑virgem) às saturadas.
Vivemos tempos que pedem escolhas que façam bem aqui e agora, e que também deixem um mundo mais saudável para amanhã. Pensar na alimentação como um diálogo entre nosso corpo e a paisagem em que vivemos é um gesto de cuidado — uma pequena colheita diária que, ao longo dos anos, pode preservar os rins e a vitalidade.






















