Por Aurora Bellini — Em um gesto que ilumina novos caminhos para proteção animal, 16 cães que eram mantidos em uma criação destinada à produção de carne em Cheongju, Coreia do Sul, foram resgatados e agora procuram famílias adotivas. As histórias desses animais, batizados como Stella, Butter, Cream, Sugar, Bean, Oak, Daisy, Bella, Stone, Luna, Archie, Ghost, Benny, Lily, Cody, Jack e Shadow, representam tanto o trauma quanto a possibilidade de renascimento.
Os 16 animais fazem parte de um contingente de quase 70 cães salvos pela organização Humane World for Animals Korea, com o apoio público do ator Daniel Henney. A fazenda onde estavam foi fechada pelas autoridades locais por irregularidades ligadas à abate ilegal. Quando foram retirados, no ano passado, os filhotes ainda eram muito jovens para viajar; agora já embarcaram rumo ao Centro de cuidado e reabilitação da Hwa no Canadá, onde receberão tratamento e suporte antes de seguirem para abrigos parceiros e adoção.
Desde janeiro de 2015, a Humane World for Animals salvou quase 2.800 cães de criações destinadas ao mercado de carne na Coreia do Sul, um país onde, entre outras tradições, ainda se consome o Boshintang, a sopa tradicional à base de carne de cão. O destino desses 16 animais ganha novo brilho no contexto legislativo: em janeiro de 2024, a Coreia do Sul aprovou uma lei histórica que proíbe a criação, o abate e a venda de carne de cão para consumo humano, com vigência a partir de fevereiro de 2027 — uma mudança que promete transformar o horizonte dessa prática.
Uma pesquisa recente encomendada pela Hwa mostra que a sociedade também está mudando: 90% dos entrevistados afirmaram que não pretendem consumir carne de cão no futuro, independentemente do hábito passado. Entre quem já havia consumido, 74% disseram não ter feito isso no último ano, e 93% declararam querer parar ou reduzir fortemente o consumo para encerrar essa indústria. Além disso, 40% revelaram que comeram carne de cão por pressão social, não por escolha pessoal. Quase metade dos ouvidos na pesquisa espera que o Governo assuma papel mais ativo no resgate dos animais provenientes dessas criações.
“Enquanto nos despedimos e desejamos boa sorte a esses 16 filhotes salvos, é triste pensar que tantos outros poderiam ter uma vida feliz se houvesse um apoio governamental proativo às operações de resgate. Ainda hoje, em criações destinadas à produção de carne, nascem filhotes apenas para serem mortos”, denuncia Sangkyung Lee, Campaign Manager da Hwa Corea. A declaração acende um chamado à ação: a proibição nacional que entrará em vigor em 2027 é um avanço significativo, mas a salvaguarda do bem-estar animal exige políticas de resgate, reabilitação e reinserção nas comunidades.
Esses 16 cães, agora em recuperação no Canadá, simbolizam uma semente de transformação — prova concreta de que políticas públicas, pressão social e iniciativas civilmente orientadas podem semear inovação e compaixão. À medida que suas histórias se espalham, cada adoção bem-sucedida e cada programa de reabilitação bem implementado ajudam a tecer laços sociais mais éticos, iluminando o caminho para um legado mais humano.
Se você deseja acompanhar a jornada desses animais ou saber como apoiar o resgate e programas de adoção, procure as organizações envolvidas na campanha: Humane World for Animals Korea e Hwa. A mudança cultural é lenta, mas possível — e esses cães já mostram que outro futuro é possível, um onde a dignidade e a proteção animal sejam parte do nosso horizonte límpido.






















