Por Stella Ferrari — As bolsas europeias recuperaram terreno após um pregão volátil e fecharam em leve alta, em sintonia com a abertura positiva de Wall Street que inaugura uma semana carregada de eventos nos EUA. A Piazza Affari registrou alta moderada de +0,22%, enquanto Londres subiu +0,05%, Frankfurt avançou +0,30% e Paris ficou pouco abaixo da paridade.
O movimento de investidores foi marcado por um fortalecimento dos metais preciosos — com ouro e prata exibindo ganhos significativos — reflexo da busca por ativos de proteção em um cenário de incertezas sobre o ritmo econômico e sinais mistos nos indicadores industriais.
Nos Estados Unidos, o índice de atividade manufatureira de janeiro superou as estimativas, um dado que dá tração inicial às ações norte-americanas. A semana traz um grande foco no Fed: a reunião de quarta-feira deve manter a taxa de juros inalterada, mas o mercado está atento às declarações do presidente em fim de mandato, Powell, cuja linguagem poderá influenciar a percepção sobre a futura calibragem da política monetária. Em sequência, chegam os balanços trimestrais das gigantes de tecnologia — Microsoft, Meta, Tesla e Apple — que serão outro catalisador importante para o apetite por risco.
Em Milão, o giro setorial mostrou fraqueza entre as indústrias pesadas: papéis do setor de defesa, como Leonardo e Fincantieri, assim como o produtor de semicondutores STMicroelectronics, pressionaram o índice local. Em contraste, o destaque positivo do dia foi o Banco BPM, que avançou +1,6%, liderando os ganhos entre os bancos.
No câmbio, o euro/dólar se fortaleceu contundentemente nas últimas cinco sessões, com apreciação superior a 2% na semana, atingindo a cotação de 1,1883 dólares. Esse movimento ilustra uma reconfiguração nas expectativas de diferencial de juros e fluxo de capitais: quando o eixo cambial se realinha, os portfólios institucionais recalibram posições como quem ajusta a suspensão fina de um carro de alta performance.
Do ponto de vista macro, observamos uma aceleração de tendências que favorece os metais preciosos como hedge e provoca rotação entre setores cíclicos e defensivos. A leitura que fica é de um mercado em busca de equilíbrio entre o apetite por risco e a prudência: os operadores dos mercados fazem micro-ajustes, como engenheiros afinando um motor, ante a iminente comunicação do Fed e os resultados corporativos das gigantes tecnológicas.
Em suma, a sessão de hoje confirma um mercado com momentum positivo, porém sensível a notícias: a trajetória de curto prazo dependerá da combinação entre dados econômicos americanos, o teor das palavras de Powell e as leituras extraídas dos balanços de big tech. Para investidores institucionais e gestores de patrimônio de alto padrão, o momento exige disciplina tática — ajustar exposição a risco, proteger lucros e monitorar o impulso do ouro e da prata como barômetros de aversão ao risco.






















