Jannik Sinner superou Luciano Darderi nas oitavas do Australian Open 2026 e garantiu vaga nos quartos de final do primeiro Grand Slam da temporada. O desfecho não deixou sequelas aparentes após os momentos de dificuldade vividos no jogo anterior, quando o italiano havia apresentado sinais alarmantes na Rod Laver Arena. Para entender a velocidade do retorno, contatamos o professor Andrea Bernetti, especialista em Medicina Física e Reabilitação da Universidade do Salento e secretário-geral da SIMFER (Sociedade Italiana de Medicina Física e Reabilitativa).
Na análise técnica para a Espresso Italia, Bernetti diferencia dois quadros clínicos que frequentemente são confundidos nas transmissões e nas entrevistas: o distúrbio funcional — muitas vezes referido na prática como um «tilt» do sistema nervoso — e a lesão muscular propriamente dita. “O episódio de Sinner é mais compatível com um distúrbio funcional, conhecido na literatura como crampo muscular associado ao exercício (EAMC), e não com uma ruptura de fibras musculares”, explica o especialista.
Segundo Bernetti, os crampes são contrações involuntárias, dolorosas e transitórias do músculo esquelético, tipicamente provocadas por fadiga neuromuscular, desequilíbrios eletrolíticos e desidratação. “Não houve ruptura estrutural das fibras — por isso o jogador pôde retornar em condições competitivas apenas dois dias depois”, afirma. Entre os gatilhos elencados pelo médico estão as condições de calor extremo, a desidratação, a depleção de eletrólitos e fatores psicofisiológicos como o estresse e o sono inadequado, elementos que o próprio atleta mencionou ao final do encontro anterior.
Bernetti também destaca um dado prático: a aplicação da Heat Rule, com a pausa para fechamento do teto, favoreceu a reidratação e o resfriamento de Sinner. “A parada permitiu que o ‘sistema’ se reinicializasse — o jogador se hidratou, reduziu a carga térmica e retomou a mobilidade. Se fosse uma lesão estrutural, o controle da dor e a recuperação imediata seriam muito mais limitados”, observa o médico.
O professor cita ainda a Classificação de Munique — documento de referência para distinguir diferentes tipos de lesões musculares — e esclarece a importância desse enquadramento técnico. “Na prática cotidiana, termos como ‘stiramento’ e ‘strappo’ se tornaram jargões; em medicina eles não têm a mesma precisão. O que frequentemente se chama de ‘contratura’ corresponde a um estado de fadiga muscular, sem ruptura, enquanto as verdadeiras lesões estruturais exigem tempos de recuperação muito mais longos e intervenções específicas”, pontua Bernetti.
O resultado prático do diagnóstico do especialista é claro: a leitura correta do episódio como distúrbio funcional explica o retorno competitivo de Sinner em curto espaço de tempo e seu desempenho sólido contra Darderi, vencendo em três sets sem sinais de comprometimento musculoesquelético evidente. “Os fatos brutos — observação clínica imediata, resposta à reidratação e recuperação funcional rápida — corroboram a hipótese de EAMC”, resume o médico.
Apuração em campo e cruzamento de fontes médicas indicam que a prevenção passa por hidratação adequada, reposição eletrolítica controlada e manejo do estresse e do sono em eventos com condições ambientais extremas. Para atletas de elite, a precisão do diagnóstico entre um problema funcional e uma lesão estrutural faz diferença decisiva na estratégia de tratamento e no prognóstico competitivo.
Esta análise foi realizada com base em declarações do professor Andrea Bernetti à imprensa e na literatura técnica de reabilitação esportiva, sem sinais de versões contraditórias até o fechamento desta reportagem.






















