Nos corredores discretos onde a monarquia britânica administra não apenas símbolos, mas também equilíbrios de poder, uma nova movimentação teria sido colocada sobre o tabuleiro. Segundo o tabloide norte-americano National Examiner, o rei Charles teria pedido à princesa Kate Middleton que o ajudasse a reconciliar a família com o príncipe Harry e com Meghan Markle, em uma tentativa de reduzir a fratura aberta que se consolidou nos últimos anos entre os Sussex e o núcleo da família real.
De acordo com a publicação, que cita uma fonte própria, a solicitação do monarca teria sido vista como “irrazoável” e teria “testado a paciência” de Kate. Ainda assim, o ponto central do relato é inequívoco: Charles desejaria ver o duque e a duquesa de Sussex novamente acolhidos, com algum grau de reintegração ao círculo familiar — e, na leitura do rei, Kate deveria assumir um papel de protagonismo nesse processo de reaproximação.
Essa aposta em Kate, porém, ocorreria apesar do histórico de tensões entre ela e Meghan, que vieram à tona de forma mais contundente após o casamento de Harry com a ex-atriz da série “Suits”, em 2018. O desgaste, como relatado pelo próprio Harry, aparece em detalhes no livro de memórias “Spare”, publicado em 2023, no qual episódios e fricções familiares são descritos como parte do processo que levou ao afastamento do casal da estrutura tradicional da realeza.
Na versão atribuída à fonte do National Examiner, o pedido de Charles seguiria uma lógica de contenção de danos: “Rei Charles pediu a Kate que desse sua contribuição para fazê-los voltar”, teria dito a fonte. O mesmo relato sustenta que o monarca reconheceria que os Sussex “cometeram muitos passos em falso”, mas estaria disposto a perdoar — um movimento calculado, como em xadrez posicional, no qual a prioridade deixa de ser o brilho de um ataque e passa a ser a reconstrução de linhas defensivas.
O pano de fundo, sempre segundo o tabloide, seria o agravamento do senso de urgência diante do quadro de saúde do rei. A fonte menciona o câncer diagnosticado em 2024 e afirma que Charles estaria enfrentando “graves problemas de saúde enquanto lidera a monarquia”, avaliando que as disputas internas familiares seriam “ridículas” diante do peso institucional que recai sobre a Coroa.
Há, nesse argumento, um raciocínio típico de chefia de Estado: quando os alicerces são pressionados por crises — sejam elas de saúde, sucessão, popularidade ou coesão — o que era tolerável como ruído se torna risco estrutural. Na leitura atribuída ao rei, o drama teria se prolongado além do aceitável: “Segundo rei Charles, esse drama durou o suficiente. Ele não tem mais paciência”, acrescenta a fonte, sugerindo um limite político e emocional para a continuidade da disputa.
Se o pedido de Charles a Kate realmente ocorreu nos termos descritos, ele revela também uma dimensão mais profunda: o uso de uma figura altamente popular e simbolicamente estável — Kate Middleton — como ponte de confiança para redesenhar fronteiras invisíveis dentro da própria família. Em arquitetura clássica, não se reforça uma coluna fraturada apenas com discursos; é preciso escoramento, material adequado e tempo. Na cartografia do poder real, Kate seria esse pilar convocado a sustentar um novo traçado de convivência.
Por ora, trata-se de uma narrativa atribuída ao National Examiner. Mas ela expõe, com nitidez, a lógica que costuma orientar casas dinásticas longe dos holofotes: reduzir o atrito interno, controlar o desgaste externo e preservar a estabilidade do conjunto — sobretudo quando o soberano sente que o relógio institucional corre mais rápido do que as vaidades particulares.






















