Por Aurora Bellini — Em um panorama que exige soluções práticas e duradouras, sistemas de tratamento da água mostram-se protagonistas capazes de iluminar novos caminhos para a qualidade hídrica urbana e doméstica. No debate promovido em Milão pela Culligan, o especialista em normas e tecnologias hídricas Giorgio Temporelli trouxe esclarecimentos técnicos e realistas sobre como tecnologias ao ponto de uso e infraestruturas maiores podem mitigar poluição e proteger a saúde pública.
Segundo Temporelli, os sistemas de tratamento da água instalados diretamente no ponto de consumo — como filtros no próprio torneira — não servem apenas para melhorar o sabor e as características organolépticas da água. “Com a adoção de elementos filtrantes específicos, como carvão ativado, membranas e microfiltros, é possível remover substâncias indesejáveis”, explicou. Ele destacou, porém, que a eficácia dessas soluções depende de uma regra simples mas fundamental: manutenção periódica e aquisição junto a empresas e técnicos qualificados.
Um dos mitos mais difundidos, acrescentou Temporelli, é a ideia de que a água calcária (ou água dura) provoca cálculos renais. “Os cálculos são majoritariamente formados por oxalato de cálcio, substância relacionada ao metabolismo individual, e não ao carbonato de cálcio presente na água”, afirmou. Em contraponto, cálcio e magnésio da água podem ser benéficos para a saúde. O impacto real do calcário é mais tecnológico: aparelhos e sistemas domésticos sofrem com incrustações, uma questão que pode ser atenuada com tecnologias específicas, como os amacidadores ou sistemas de adoucimento.
Sobre os PFAS, o especialista chamou atenção para a sua periculosidade e persistência ambiental. “Há mais de dez anos se fala profundamente sobre essas substâncias: a ligação fluoro-carbono as torna quase indestrutíveis e onipresentes, inclusive em alimentos e fontes de água”, disse Temporelli. A nova regulação os monitora por múltiplos parâmetros, e a remoção eficiente já foi demonstrada por operadores de saneamento por meio de carvão ativado. Para as variantes de cadeia muito curta, tecnologias mais avançadas, como a osmose reversa, também se mostram necessárias.
De forma análoga, as microplásticos são hoje entendidos como contaminantes persistentes que se acumulam nos ecossistemas. Temporelli citou estudos que estimam a ingestão humana de dezenas de milhares de micropartículas por ano. “Para retirar partículas sólidas micrométricas da água, os sistemas de microfiltração ou ultrafiltração são as soluções adequadas”, afirmou.
Ao concluir, o especialista reforçou a importância de unir tecnologia, regulação e responsabilidade operacional para transformar cada gota em um legado de saúde e sustentabilidade. Como curadora de progresso, vejo nestas propostas um horizonte límpido: semear inovação técnica e social, garantindo que a água chegue limpa e segura, e que empresas e lares adotem práticas contínuas de cuidado — porque preservar a água é, também, iluminar o futuro coletivo.






















