Enrica Bonaccorti voltou a falar publicamente sobre sua batalha contra o tumor no pâncreas em entrevista ao programa Verissimo, conduzido por Silvia Toffanin. A apresentadora, que anunciou o diagnóstico em setembro passado, atualizou o público sobre a nova fase do tratamento e a incerteza que ainda envolve possíveis intervenções cirúrgicas.
Com a franqueza discreta que marca sua trajetória, Enrica Bonaccorti afirmou que as primeiras tentativas de cura “não foram bem-sucedidas” e que por isso retomou a quimioterapia. “Eu esperava estar melhor. Voltei à quimioterapia porque não tinha havido muitas mudanças. Um dia você está bem e depois de dois dias não está — infelizmente funciona assim”, disse a apresentadora, delineando um panorama clínico que alterna momentos de esperança e regressões.
Apesar do cenário clínico incerto, ela destacou o apoio recebido: “Sinto realmente muito afeto das pessoas”. E revelou também planos cautelosos: “Eu esperava poder ser operada. Em três meses serão feitos todos os exames necessários para avaliar a possibilidade de cirurgia.” Enquanto essa janela de investigação permanece aberta, Enrica segue com as sessões de quimioterapia e exames periódicos para monitoramento.
Um dos trechos mais comoventes da entrevista foi sobre a relação com a filha, Verdiana. A apresentadora falou do vínculo cotidiano, da intimidade partilhada e da preocupação materna: “Ela me repreende o tempo todo. Não posso comer doces. Fez uma cena com meu assistente. Sinto-a muito próxima porque estou escrevendo coisas e as faço ler para a Verdiana. Eu conto quase tudo, toda a minha vida. Não quero que minha filha sofra. Quero dar a ela todas as coisas boas.”
Essa fala revela mais do que o relato de uma paciente: traz o eco cultural de uma figura pública que transforma a própria narrativa em espelho para muitos. A trajetória de Enrica Bonaccorti se insere num roteiro onde o pessoal e o coletivo se entrelaçam — um reflexo do nosso tempo em que a doença pública convoca empatia e também perguntas sobre cuidado, memória e resistência.
Na entrevista ao Verissimo, entre a atualização clínica e o diário afetivo, perpassa uma estética quase cinematográfica: cenas curtas de esperança, planos mais longos de apreensão e a montagem íntima de palavras dirigidas à filha. É nessa semiótica do viral e do pessoal que se constrói o testemunho de Enrica, que, mesmo fragilizada, mantém a clareza de quem compreende que o sofrimento individual reverbera no coletivo.
Data da entrevista e atualização: 25 de janeiro de 2026. Enquanto aguarda as investigações que decidirão sobre uma possível cirurgia, Enrica segue com o tratamento e com a vontade explícita de proteger a filha das sombras desse episódio, oferecendo a ela, sobretudo, o melhor do que a vida ainda pode proporcionar.






















