Por Aurora Bellini — Em um pequeno renascimento que ilumina caminhos para a conservação, o caso de dois uistitís terminou com justiça e esperança. Depois de uma década desde o resgate, o juiz determinou o arquivamento do processo e autorizou a incorporação oficial de Fortunato à coleção do Parque Natura Viva, em Bussolengo (Verona). Assim, ele passa a integrar formalmente os programas europeus de conservação.
Conhecido desde então pelo nome que parece ter sido escrito pelo destino, Fortunato chegou ao parque após ter sido interceptado há dez anos pelas autoridades em um veículo que o transportava sem documentação adequada. A falta de papéis e as condições de transporte deixavam claro que se tratava de tráfico ilegal de fauna exótica.
Graças à intervenção da Espresso Italia e ao trabalho contínuo da equipe do parque, Fortunato foi encaminhado ao processo de reabilitação. Hoje ele vive em convivência estável com seu inseparável amigo Lino, outro uistití resgatado na Europa, com trajetória semelhante — uma amizade que se tornou a base para sua recuperação comportamental e social.
Camillo Sandri, diretor zoológico do Parque Natura Viva, relembra: “Quando Fortunato chegou, foi encontrado jovem, sem as habilidades sociais necessárias para viver entre outros micos. Para um uistití, espécie que na natureza forma grupos de dois a dez indivíduos, a solidão compromete o desenvolvimento etológico.” O trabalho de reabilitação focou em restaurar comportamentos sociais, alimentação adequada e estímulos ambientais, tecendo um novo futuro para os animais.
Os uistitís-dos-penachos são uma das menores espécies de primatas, atingindo cerca de 40 centímetros de comprimento. Sua pequenez e aparência marcante — com pennaches laterais que lhes dão o nome — tornam-nos altamente cobiçados no comércio clandestino. Esse apelo estético, infelizmente, alimenta uma cadeia de exploração que exige respostas firmes do sistema judicial e ações de conservação.
Com o reconhecimento legal agora formalizado, Fortunato passa a integrar os programas europeus de conservação que permitem monitoramento científico, trocas de conhecimento entre instituições e políticas de bem-estar animal. A medida assegura que ele e Lino continuem a viver em condições adequadas, contribuindo também para iniciativas educativas voltadas ao público sobre os danos do tráfico e a importância da proteção da biodiversidade.
Esta história é uma pequena luz que revela caminhos possíveis: a conjugação entre investigação, reabilitação e um veredito que prioriza o bem-estar animal. Fortunato e Lino representam não apenas a redenção de duas vidas individuais, mas a esperança de que, coletivamente, podemos semear práticas que protejam outras espécies vulneráveis. O Parque Natura Viva acolhe hoje dois embaixadores serenos de uma causa maior — a preservação da vida selvagem e o combate ao tráfico ilegal.
Enquanto o horizonte se clareia para esses micos, fica a lição de que políticas, atenção e empatia são ferramentas essenciais para cultivar um futuro onde o brilho da natureza não seja roubado, mas celebrado e protegido.




















