Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Em entrevista à Espresso Italia, Enrico Giovannini, diretor científico da ASviS (Aliança Italiana para o Desenvolvimento Sustentável), traça um retrato claro dos avanços e dos desafios da cadeia da economia circular na Itália. Com um olhar que busca iluminar caminhos práticos e duradouros, Giovannini destaca o progresso do país, mas pede passos decisivos em governança e inovação para cumprir metas europeias.
“Os dados mostram que a cadeia italiana está entre as líderes a nível internacional: entre os 17 indicadores compostos da Agenda 2030, o relativo ao objetivo 12 — a economia circular — é o que apresenta maior crescimento, com aumento generalizado nas diversas regiões. No entanto, isso não basta para atingir os alvos da União Europeia nem para aproveitar plenamente tecnologias que poderiam impulsionar ainda mais a nossa indústria, tornando-a mais circular e sustentável”, explica Giovannini.
No relato trazido à nossa redação, o diretor científico menciona um estudo conduzido “no decorrer de 2025” sobre o papel do sistema de depósito caução para embalagens de plástico, alumínio e vidro. Segundo ele, esse mecanismo tem gerado efeitos muito significativos nos países europeus que já o implementaram e, por iniciativa da própria ASviS, hoje existe uma proposta de lei em tramitação no Parlamento para introduzi-lo na Itália.
Giovannini sublinha que a fragmentação normativa entre regiões constitui um entrave importante: há diferenças substanciais em como se define o que é resíduo e o que se considera matéria prima segunda reutilizável. “Do ponto de vista da governança do sistema, podemos e devemos dar saltos importantes, porque o resto do mundo também avança: pensemos na introdução do depósito caução e no que ocorre no mercado internacional de plásticos virgens, cuja produção não sustentável pressionou os preços para baixo”, afirma.
Outro ponto crítico é a eficiência das administrações públicas ao garantir a cadeia de reciclagem, começando pela coleta seletiva, e o grau de adesão dos cidadãos a essas práticas, que ainda varia muito de um território para outro. Para Giovannini, a criação de um mercado europeu único para materiais secundários facilitaria os avanços no setor, pois as economias de escala contam também nessa área e a diversidade de definições locais freia a aplicação em todo o país.
Ele lembra, ainda, que o negocial internacional sobre um tratado global para a plastica sofreu bloqueios por alguns países — entre eles Rússia, Índia e Arábia Saudita — fator que não favorece nações como a Itália, que deram passos importantes rumo ao reciclo e à circularidade.
Em perspectiva ao futuro próximo, com a expectativa do Circular Economy Act, Giovannini aponta a necessidade de combinar normas coerentes, incentivos à inovação tecnológica e governança integrada para transformar o histórico progresso italiano em ganhos estruturais e mensuráveis. É a hora de semear políticas claras que iluminem novos percursos para a indústria e para a sociedade, convertendo avanços técnicos em legado duradouro.
Espresso Italia seguirá acompanhando o debate e as iniciativas que possam transformar essas propostas em práticas concretas, tecendo laços entre ciência, política e cidadania para um horizonte límpido de circularidade.






















