Por Chiara Lombardi — Em um episódio carregado de emoção e reflexão, os pais de Matteo Franzoso serão os convidados do programa Verissimo neste domingo, 25 de janeiro. A presença deles na TV italiana inaugura mais uma cena difícil do luto público: não se trata apenas de recontar uma sequência de fatos, mas de ler o que ficou do percurso humano e esportivo de um jovem talento que, abruptamente, saiu de cena.
Matteo Franzoso, esquiador italiano ligado às Fiamme Gialle e forjado nos treinos do Sestriere, morreu em 15 de setembro aos 25 anos, poucas horas após um grave acidente em sessão de treino na pista de La Parva, no Chile. Ele completaria 26 anos em 16 de setembro. O trágico desfecho ocorreu após uma queda que provocou um severo trauma craniano e um edema cerebral, lesões que seu corpo não conseguiu suportar apesar do pronto atendimento médico e do transporte por elisocorro.
Na carreira, Franzoso representava um caso de consolidação esportiva que, aos poucos, se anunciava ao mundo. Entre os resultados de destaque, foi quarto na descida nos Mundiais Juniors de Narvik, em 2020. Estreou na Copa Europa em 13 de dezembro de 2017 e obteve sua única vitória no circuito em super-G, em 29 de novembro de 2021, em Zinal, na Suíça. Ainda naquela temporada, fez sua estreia na Copa do Mundo, em 17 de dezembro, no super-G da Val Gardena. Ao todo, somou 17 presenças no circuito maior (11 super-G e 6 descidas), com o 28º lugar no super-G de Cortina d’Ampezzo, em 28 de janeiro de 2023, como melhor resultado.
Em 2023, conquistou o título italiano na combinada e manteve presença nas competições internacionais até a última largada nas pistas norueguesas de Kvitfjell, em março. O percurso interrompido no Chile — quando ele afrontou mal um pequeno salto do traçado de treino, foi arremessado para frente, ultrapassou duas redes de proteção e chocou-se contra uma estacada posicionada a 6–7 metros fora do traçado — levanta agora perguntas sobre segurança em treinos, arquitetura de pistas e o risco cotidiano que acompanha atletas de alta velocidade.
Imediatamente socorrido, Franzoso foi internado em unidade de terapia intensiva, induzido ao coma farmacológico, mas não resistiu. A notícia de seu falecimento foi confirmada por médicos chilenos às instâncias da FISI e ao presidente da federação. O relato dos pais em Verissimo será, portanto, um testemunho íntimo diante do eco cultural que essa perda provoca: o esporte como espelho do nosso tempo, onde a busca pela excelência convive com fragilidades estruturais e humanas.
Enquanto a comunidade do esqui e os seguidores lamentam a partida precoce do atleta, a presença dos pais na televisão serve não só para narrar o que aconteceu, mas para abrir um espaço público de memória. É o roteiro oculto de uma carreira que prometia e de um corpo que pagou o preço do risco. A entrevista promete trazer detalhes, lembranças e — esperançosamente — reflexões sobre medidas que possam reduzir tragédias semelhantes no futuro.
Em termos simbólicos, a história de Matteo Franzoso ressoa como uma cena final que pede revisão de enquadramento: não apenas quem era o protagonista no pódio, mas o que a sua trajetória diz sobre nossas prioridades esportivas e a proteção daqueles que deslizam na fronteira entre velocidade e perigo.






















