Por Chiara Lombardi — Em um retorno carregado de emoção e significado, Enrica Bonaccorti, aos 76 anos, será entrevistada hoje, domingo 25 de janeiro, no estúdio de Silvia Toffanin, no programa Verissimo. A apresentadora reaparece no centro do debate público para compartilhar detalhes de sua batalha contra o câncer de pâncreas, doença diagnosticada em setembro passado.
O comunicado inicial de Enrica Bonaccorti chegou pelas redes sociais, quando ela dividiu com o público a descoberta da doença. Naquela mensagem no Instagram, a apresentadora evocou a memória de Eleonora Giorgi, vem a falecer em março aos 71 anos por um câncer de pâncreas, um nome que atravessou o imaginário coletivo e trouxe à tona temores e lembranças. Na foto que acompanhou a publicação, Enrica aparece em uma cadeira de rodas, empurrada pela filha, Verdiana, gesto íntimo que virou imagem simbólica de cuidado, resistência e vulnerabilidade.
Ela descreveu um período de silêncio: “São quatro meses que me escondi até dos amigos mais próximos, sem responder, sem ligar, como se a minha ausência pudesse apagar aquilo que, na verdade, existe”, disse. A declaração foi um reframe sensível sobre o modo como lidamos com o anúncio público da doença — o esforço para controlar a narrativa pessoal quando o roteiro da vida muda subitamente.
Na entrevista para Domenica In, em 4 de janeiro de 2026, Enrica ofereceu atualização sobre o percurso clínico: aguarda um encontro com o professor Tortora para entender se houve redução do quadro, se o tumor se deslocou, e se será preciso retomar terapias. “Tenho que entender se essa coisa ruim que tenho diminuiu um pouco ou se se deslocou. Por enquanto não se sabe, saberemos em breve”, afirmou, com a prudência de quem aceita o tempo da medicina e da espera.
Apesar da gravidade da situação, o tom de Enrica Bonaccorti é surpreendentemente equilibrado. Ela declara não ser pessimista e aposta na evolução da medicina: “Quero ser otimista: a medicina avançou muito nessa área.” Ao mesmo tempo, confessa uma melancolia interior, contraste entre a leveza que transmite externamente e as emoções mais sombrias que guarda em si — um efeito de espelho do nosso tempo em que figuras públicas articulam entre visibilidade e intimidade.
O retorno à televisão, portanto, não é apenas um fato midiático: é um gesto cultural que ressignifica a experiência do adoecer na esfera pública. A presença de Enrica em Verissimo funciona como um pequeno palco para discutir não só protocolos médicos, mas também os símbolos e narrativas que cercam o envelhecer, a doença e o cuidado familiar. Ao dividir seu percurso, ela propõe uma espécie de reescrita do roteiro oculto da sociedade sobre como nos relacionamos com a fragilidade.
Veremos hoje como essa conversa com Silvia Toffanin se desenvolverá: esperar relatos de tratamento, perspectivas médicas e, sobretudo, o tom humano que marca a trajetória de quem, como Enrica Bonaccorti, transforma a própria experiência em diálogo público. É um momento em que a arte de contar histórias — e de se expor com dignidade — encontra a urgência da medicina e do afeto.






















