ROMA, 24 de janeiro de 2026 – O balanço da saúde italiana revela uma paisagem econômica em movimento: segundo o último relatório da Ragioneria Generale dello Stato, compilado por Quotidiano Sanità, a despesa sanitária pública em 2024 chegou a €139,4 bilhões (+4,9% em relação a 2023), a que se soma uma despesa privada suportada diretamente pelos cidadãos — o famoso out-of-pocket — de €46,4 bilhões (+7,7%), totalizando quase €186 bilhões.
Esses números desenham um quadro onde o Sistema Nacional de Saúde recebe mais recursos, mas a pressão sobre os lares permanece crescente. São 16 as regiões que encerraram o exercício no vermelho, um sinal de que a respiração financeira do país continua irregular, com regiões que pagam o preço de uma colheita de despesas e lacunas organizacionais.
As rubricas que mais cresceram ajudam a entender o movimento: dépenses com pessoal aumentaram +4,6%, a farmacêutica direta avançou +11,8%, bens e serviços subiram +9,3%, a farmacêutica convenzionada cresceu +3%, a assistenza medico-generica teve +3,5% e as compras a privados aumentaram +1,9%. É como se o tempo interno do corpo do sistema de saúde pedisse mais oxigênio — em forma de salários, remédios e contratos — enquanto a cidade respira com mais volatilidade.
Do lado das famílias, o aumento do gasto privado é particularmente sensível: atingindo um recorde de €46,4 bilhões, esse valor representa uma carga direta sobre bolsos e escolhas cotidianas — consultas, exames, medicamentos não reembolsados — que revela desigualdades no acesso e uma dependência crescente de serviços fora do circuito público.
As causas são múltiplas e se entrelaçam como raízes: envelhecimento populacional, inflação dos custos, tensão sobre serviços pós-pandemia e maiores desembolsos em tecnologias e medicamentos. Paralelamente, parte do atendimento se desloca para o setor privado, ampliando a participação do gasto privado no conjunto.
Para quem observa com atenção sensível, há um convite a repensar estratégias: reforçar a atenção primária, reequilibrar os contratos regionais, controlar a pressão sobre a farmacêutica direta e otimizar bens e serviços. Sem medidas que cuidem também da equidade, o aumento dos números corre o risco de traduzir-se em um inverno da qualidade, em vez de um despertar da paisagem da saúde.
Em linguagem prática: o país injeta mais recursos no sistema, mas as famílias gastam mais diretamente — e as contas regionais mostram que a sustentação ainda é frágil. A política pública e a gestão regional terão pela frente a tarefa de transformar esse acréscimo em melhores resultados clínicos e sociais, não apenas em números que aquecem os balanços.
Como observador e tradutor das estações do bem-estar, vejo nestes dados um mosaico em que o calor do investimento precisa encontrar a sombra das reformas, para que a colheita de hábitos de saúde seja justa, sustentável e acessível a todos.






















