Hoje à noite, às 21h15, o canal Iris exibe Indiana Jones e a Última Cruzada (1989), o terceiro capítulo da saga dirigida por Steven Spielberg que transformou o arqueólogo mais famoso do cinema em um verdadeiro ícone cultural. Em uma narrativa que mistura aventura, ironia e um senso de época preciso, o filme coloca Harrison Ford frente a frente com perigos, enigmas e memórias familiares.
Estamos em 1938: Indiana Jones (interpretado por Harrison Ford) recebe a missão do milionário Walter Donovan (Julian Glover) de recuperar o lendário sacro Graal, o cálice ligado à Última Ceia que, segundo a tradição, recolheu o sangue de Cristo. Ao lado de Indiana estão a arqueóloga austríaca Elsa Schneider (Alison Doody) e, em um dos movimentos mais afetivos e astutos do roteiro, o pai de Indiana, Henry Jones Senior (Sean Connery), outro arqueólogo com convicções e obsessões próprias.
Logo se revela que os nazistas também cobiçam o objeto sagrado e que há traições à solta: Elsa e Donovan não são exatamente o que parecem. Da América aos canais de Veneza, de Berlim até Alessandreta, na Turquia, a dupla pai e filho precisa decifrar pistas, vencer armadilhas e confrontar dilemas morais até alcançar o local onde o Graal é guardado.
Indiana Jones e a Última Cruzada é um filme de grande ritmo: a direção de Steven Spielberg equilibra ação e humor, enquanto a química entre Harrison Ford e Sean Connery confere ao enredo uma dupla tonalidade, de conflito geracional e cumplicidade. Connery aparece especialmente inspirado, emprestando sua presença clássica a cenas que são, em si, pequenas cápsulas de cinema clássico. O filme recebeu críticas majoritariamente positivas, conquistou três indicações ao Oscar e levou para casa a estatueta de Melhor Edição de Som. No box office, o sucesso foi estrondoso: orçado em 48 milhões de dólares, arrecadou cerca de 474 milhões.
Assistir a Indiana Jones hoje é encarar mais do que uma aventura: é revisitar um espelho do nosso tempo — uma obra que combina mitologia cristã, exotismo geopolítico e a fantasia do descobridor que, como todo herói pop, reflete inseguranças históricas e desejos de ordem. O filme funciona como um roteiro oculto da sociedade que, nos anos finais da década de 1930 e no imaginário posterior, transforma expedições arqueológicas em jornadas éticas.
Antes da sessão, vale lembrar alguns ítens de curiosidade que enriquecem a experiência: a dinâmica Ford-Connery, as referências históricas presentes (por vezes romantizadas), o uso de cenários europeus que evocam memórias coletivas e o modo como a narrativa usa o sacro Graal não só como objeto de busca, mas como símbolo de uma busca maior — por sentido, por pertencimento, por redenção.
Se você sintonizar Iris às 21h15, espere uma aventura que é ao mesmo tempo entretenimento de alto calibre e um pequeno tratado sobre como filmes populares recolhem e reconfiguram ecos culturais. Como observadora do zeitgeist, diria que este capítulo de Indiana Jones continua a nos convidar para pensar por que determinadas histórias persistem: não apenas por suas cenas de ação, mas porque atuam como superfícies onde projetamos medos e esperanças coletivas.
Boa sessão — e observe, entre uma cena e outra, como o filme reflete a imbricação entre memória pessoal e memória histórica, essa encenação que chamamos de cinema.






















