Por Stella Ferrari — A Fed deverá manter as taxas de juros inalteradas na reunião desta quarta-feira, com sinalizações de que as medidas permanecerão estáveis ao longo do trimestre, até março, e possivelmente até o término do mandato de Jerome Powell, previsto para 26 de maio. Esse quadro empurra a próxima grande discussão para os encontros de 16-17 de junho ou 28-29 de julho, conforme reportagem da Reuters.
Inicialmente, o mercado havia precificado cortes já em março, mas a dinâmica mudou nas últimas semanas: a atenção agora concentra-se no nome que substituirá Powell e na capacidade desse indicado de calibrar a política monetária sem desestabilizar o motor da economia.
Segundo o secretário do Tesouro citado pela imprensa, Scott Bessent, Donald Trump poderia anunciar seu preferido já na próxima semana — um movimento capaz de ofuscar qualquer sinalização que Powell venha a dar na coletiva. Entre os nomes em circulação, surge com força o gestor de títulos da BlackRock, Rick Rieder, que, de acordo com o Financial Times, vem ganhando destaque como um dos principais candidatos.
As probabilidades atribuídas a Rieder no site Polymarket subiram de cerca de 6% no início da semana para 47% na sexta-feira. Tradicionalmente visto como um outsider — um executivo de mercado com vasta experiência na gestão de portfólios de renda fixa — Rieder ganhou visibilidade após elogios públicos de Trump em Davos. Ele é conhecido por uma visão favorável aos mercados, por criticar avaliações excessivamente pessimistas sobre a inflação e por sustentar que a inteligência artificial terá um efeito estruturalmente desinflacionista, reduzindo pressões de preços no médio prazo.
Na prática, Rieder defende que a Fed não deve acionar freios excessivos na política monetária à custa do emprego, uma posição que o aproxima das demandas pró-crescimento da Casa Branca. Essa combinação de expertise de mercado e afinidade com a visão presidencial explica por que seu nome avançou nas apostas.
O cenário de escolhas inclui outros perfis. Kevin Hassett, até então considerado próximo a Trump, retirou-se da disputa, o que abriu espaço para recomposições. Kevin Warsh, ex-consultor da Fed e banqueiro, era visto como favorito, mas suas chances em Polymarket caíram de 64% para 35% ao longo da semana. Warsh tem boa reputação em Wall Street, porém sua postura mais hawkish em relação aos juros o distancia da preferência do presidente, por ser percebido como mais conservador na condução de cortes.
Ao final da lista aparece Christopher Waller, atual governador e membro do board da Fed, respeitado por sua técnica e por defender a independência institucional do banco central. Waller tende a buscar redução de juros sem alinhar-se politicamente à Casa Branca, o que, paradoxalmente, o torna menos provável como escolha para um governo que privilegia afinidade política.
Em síntese, os mercados operam como uma caixa de câmbio onde a escolha presidencial funciona como ajustador: a nomeação que vier será o próximo determinante da aceleração ou da desaceleração das expectativas, afetando preços de ativos, a curva de juros e o apetite por risco global. A próxima semana promete ser decisiva para a calibragem do futuro da política monetária americana.






















