Apresentado hoje em pré-estreia na Cortina d’Ampezzo, o documentário Il Rosso Volante revisita a trajetória de Eugenio Monti, referência máxima do bob italiano e símbolo internacional do fair play olímpico. A produção recupera os marcos esportivos e a dimensão humana do atleta, traçando um painel que vai dos primeiros passos nas pistas até as grandes competições que consagraram sua carreira.
Com linguagem visual e narrativa que privilegia a precisão e o sentimento, o filme não apenas reconstrói as vitórias técnicas, mas enfatiza episódios decisivos em que Monti preferiu a integridade ao ganho imediato. Entre esses momentos, ganha destaque o gesto em Innsbruck, quando ele auxiliou um adversário britânico em dificuldade, abrindo mão de uma vantagem que poderia ter alterado o resultado. Esse ato, lembrado mundialmente, é apresentado como núcleo conceitual da obra: uma calibragem ética que transcende a cronologia das medalhas.
Apresento essa história como quem analisa uma máquina de alto desempenho: cada componente — técnica, estratégia, caráter — funciona em sinergia para produzir um resultado que vai além do pódio. A trajetória de Eugenio Monti é, portanto, um exemplo de design de políticas esportivas e valores compartilhados, que hoje se reconectam com a modernização das infraestruturas para a próxima edição dos Jogos.
O filme também dialoga com o presente por meio do espaço que o celebra: o Sliding Centre de Cortina, recentemente rebatizado em homenagem a Monti e completamente renovado para Milano Cortina 2026. Mais que uma pista, o centro torna-se um símbolo onde tradição, inovação e valores se encontram — um verdadeiro motor da economia esportiva local, com impacto em turismo, imagem e legado olímpico.
Il Rosso Volante será exibido em primeiro seral na Rai 1 na segunda-feira, 23 de fevereiro. A transmissão chega em momento oportuno: no percurso final de preparação para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2026, quando memória e projeto se cruzam para inspirar atletas, gestores e o público.
Para quem acompanha o desenvolvimento esportivo como variável de política pública e de imagem internacional, a obra oferece mais do que nostalgia: é um case de como valores morais e prestígio competitivo podem alimentar um ciclo virtuoso — uma aceleração de tendências que beneficia não apenas o esporte, mas a economia regional e a reputação institucional do país.
Como estrategista, observo que resgatar e contar episódios como o de Eugenio Monti é também investir em capital simbólico. Em um ecossistema onde credibilidade é moeda, o filme funciona como um motor de soft power, exemplar para gestores que calibram investimentos entre legado, infraestrutura e narrativa pública.






















