Por Marco Severini — A tempestade ártica que varre os Estados Unidos obrigou mais de vinte estados do centro e do sudeste do país a ativar protocolos de emergência. Em um movimento decisivo no tabuleiro climático nacional, a massa de frio e as fortes precipitações — chuva gelada, neve e nevischio — colocam sob tensão os alicerces frágeis da infraestrutura.
O fenômeno, responsável por afetar aproximadamente dois terços do território nacional, segue deslocando-se para leste. Estados do centro-sul como Oklahoma, Kansas, Arkansas e, sobretudo, o Texas já registraram quedas de energia e nevadas severas. A região do Atlântico central — incluindo Nova York, Nova Jersey, Pensilvânia, Delaware, Maryland, Virgínia Ocidental, Virgínia e a capital Washington, D.C. — encontra-se agora na trajetória direta do sistema.
Monitoramentos de quedas de energia indicam mais de 47.000 famílias sem eletricidade no Texas, enquanto na Louisiana outras 52.000 residências aparecem sem fornecimento elétrico, segundo o site especializado poweroutage.us. Paralelamente, portais de tráfego aéreo registraram cerca de 4.000 cancelamentos ontem e mais de 8.000 hoje, totalizando aproximadamente 12.000 voos cancelados até o momento.
O Serviço Meteorológico Nacional projeta acumulados de neve entre 7 e 17 centímetros para a área de Nova York, com temperaturas mínimas previstas próximas a -9 °C antes de uma nova queda que pode levar a sensações térmicas na ordem de -15 °C em alguns períodos entre segunda e quarta-feira. Esse recrudescimento do frio, associado à chuva congelante, aumenta o risco de formação de gelo nas pistas e nos cabos elétricos, comprometendo estradas e comunicações essenciais.
Ao sul, já se nota um impacto operacional: diversos distritos escolares anunciaram suspensão das aulas para segunda-feira e os serviços federais em Washington tiveram fechamento programado em razão da situação. As autoridades locais têm reiterado o alerta para que a população evite deslocamentos não essenciais e permaneça em casa sempre que possível.
Em coletiva, a figura pública citada no relato oficial, Kristi Noem, advertiu para o perigo iminente: “Nos próximos dias, esta tempestade provocará fortes nevadas, chuva gelada perigosa, gelo e temperaturas percebidas extremamente baixas que colocarão em risco a vida das pessoas”. A advertência resume a dimensão humanitária e operacional do evento: a combinação de frio extremo e gelo é, em termos estratégicos, um ataque direto contra a resiliência das infraestruturas.
Do ponto de vista geopolítico e logístico, trata-se de um teste severo à capacidade de coordenação entre estados, serviços de emergência e operadores de energia — um tipo de ‘redesenho de fronteiras invisíveis’ onde quem perde energia ou mobilidade sofre perda imediata de autonomia. A recomendação das autoridades é clara: priorizar a segurança individual e coletiva, evitar viagens e preparar estoques mínimos de alimento, medicamentos e fontes alternativas de calor alimentadas com segurança.
À medida que o vórtice polar continua seu deslocamento em direção ao nordeste, a situação exige monitoração constante e respostas coordenadas. Em termos práticos: isolamento físico e atenção às mensagens oficiais serão as melhores jogadas nas próximas 72 horas, enquanto as agências recorrem a planos de contingência para restaurar serviços e proteger vidas.






















