Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — Já são mais de 150 os **prefeitos** e as **prefeitas** de toda a Itália que assinaram o apelo promovido por ALI – Autonomie Locali Italiane e pelo Comitê da sociedade civil pelo não ao referendo sobre a reforma da justiça. Entre os nomes que atravessam a cena política local destacam-se Roberto Gualtieri, Gaetano Manfredi, Stefano Lo Russo, Matteo Lepore, Sara Funaro e Silvia Salis.
O presidente da ALI e primeiro subscritor do documento, Roberto Gualtieri, sintetiza a razão do movimento: como gestores locais, os signatários dizem não ao referendo porque a proposta não resolve os problemas concretos do sistema judiciário e corre o risco de enfraquecer pilares constitucionais fundamentais. “Não se trata de derrubar a Constituição — trata-se de fazê-la funcionar melhor”, afirma Gualtieri, apontando que as cidades convivem diariamente com uma justiça lenta e precariedades estruturais.
No apelo, as administrações locais descrevem uma realidade prática: falta de pessoal, carência de servidores administrativos, infraestruturas informáticas obsoletas, filas processuais e procedimentos arrastados que afetam diretamente cidadãos e serviços municipais. Essas são, na visão dos signatários, as frentes que exigem intervenções precisas — investimentos, contratações, modernização tecnológica e simplificação normativa — e não uma reescrita constitucional que, segundo eles, não ataca as urgências do dia a dia.
O documento também questiona o foco da reforma na chamada separação de carreiras, um tema que, argumentam os prefeitos, já é hoje limitado e atinge uma percentagem reduzida de magistrados. Para as administrações, promover mudanças constitucionais sobre esse ponto pode colocar em risco o princípio da magistratura como corpo único — alicerce que sustenta a busca pela verdade e a igualdade de tratamento perante a lei.
Outra crítica apontada é o mecanismo de sorteiopara a composição dos órgãos de autogoverno da magistratura. A introdução do sorteio, alertam as assinaturas, poderia ferir o princípio de responsabilidade nas escolhas e aumentar a dependência da magistratura em relação ao jogo político — um efeito colateral que, segundo os signatários, contraria a ideia de independência necessária para a tutela dos direitos.
As e os dirigentes locais não se limitam a negar: eles pedem ao Governo e ao Parlamento que concentrem esforços nos “nós estruturais” que continuam sem solução. Entre as demandas estão a adequação do dimensionamento dos órgãos, a contratação de pessoal administrativo, a modernização das plataformas informáticas, a redução do acervo processual em atraso e a elaboração de normas mais claras e coerentes que facilitem a vida dos cidadãos e das administrações.
Como correspondente que observa a intersecção entre as decisões de Roma e a vida real nos municípios, vejo este movimento como uma tentativa de reforçar a ponte entre a legislação constitucional e a prática administrativa. A defesa da Constituição não é aqui um gesto simbólico: é um chamado concreto para que a “arquitetura do voto” não se transforme em cimento que dificulte reformas urgentes de funcionamento.
Os subscritores lembram, por fim, que juraram sobre a Constituição e que esse juramento se traduz em responsabilidade pública: por isso optam por manifestar sua contrariedade, confiando que o debate volte-se às prioridades operacionais e que a política atue para remover as barreiras burocráticas que hoje travam o acesso dos cidadãos à justiça.






















