Relato apurado e cruzamento de fontes apontam para uma escalada de atenção entre os centros meteorológicos europeus sobre a possibilidade de um stratwarming major — um aquecimento repentino da estratosfera polar — capaz de fragilizar e mesmo dividir o vórtice polar. Caso se confirme um split, a consequência esperada é a formação de dois lóbulos ciclônicos que podem desalojar massas de ar frio em direção às latitudes médias, provocando fortes irruções e alterações significativas na circulação atmosférica.
É preciso sublinhar, desde já, que se trata de uma hipótese baseada em sinais detectados nos modelos numéricos: não há certeza absoluta sobre a evolução. Especialistas consultados — e o próprio repositório de previsões do ECMWF reproduzido pelo meteo.it — mostram aumento de probabilidade para um evento de stratwarming major nas próximas semanas, mas a convergência dos modelos ainda não é total. Em termos técnicos, estamos diante de um cenário de expectativa, não de confirmação.
O comportamento previsto pelo Centro Europeu aponta para uma mudança na circulação hemisférica entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro. O fluxo perturbado de origem atlântica parece ganhar força, abrindo passagem a uma sequência de frentes que tenderiam a atingir o país. Essa configuração implicaria, em primeiro efeito, um significativo excesso de precipitação sobretudo no Centro-Norte, com volumes pluviométricos acima da média do período.
As montanhas, por sua vez, poderão registrar acumulados de neve relevantes — cenário que interessa diretamente à logística e às provas das Olimpíadas de Inverno nas áreas alpinas, caso as precipitações se confirmem conforme as saídas mais prováveis do ECMWF. Ao mesmo tempo, permanece a possibilidade de descidas de ar frio capazes de deslocar a cota de neve para níveis muito baixos, dependendo da orientação dos circuitos de baixa pressão.
Historicamente, fevereiro já demonstrou potencial para episódios de frio abrupto e intenso: 1929, 1956 e 2012 são marcos que mostram como a época pode reservar ondas de gelo de rápida evolução se os vetores norte-sul se alinharem. No entanto, é imprescindível lembrar que previsões sazonais ou de longo prazo não permitem, neste estágio, mapear trajetórias finas dos centros de baixa pressão nem definir temperaturas de cidades específicas.
Na prática jornalística, adotamos apuração in loco dos dados disponíveis e o cruzamento de fontes entre modelos numéricos e análises de centros oficiais. O quadro atual impõe vigilância técnica: meterologistas aumentaram o grau de atenção, mas pedem cautela antes de qualquer anúncio categórico. A tradução da ciência em impactos concretos dependerá da persistência do aquecimento estratosférico e da resposta do vórtice polar nos próximos dias.
Conclui-se que o período entre o final de janeiro e a primeira metade de fevereiro requer monitoramento contínuo. Atualizações de modelos e emissões do ECMWF deverão ser acompanhadas de perto para refinar probabilidades e possíveis trajetórias dos sistemas. A realidade traduzida pelos fatos brutos ainda é volátil; por isso, as autoridades e serviços de emergência devem manter planos de contingência prontos, sobretudo em áreas montanhosas e regiões sujeitas a enchentes.
Eu, Giulliano Martini, mantenho a cobertura técnica e o acompanhamento diário dos dados, priorizando sempre a clareza e o rigor na leitura dos fenômenos que podem impactar o país nas próximas semanas.






















