O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, rebateu com firmeza as declarações de Donald Trump sobre o papel dos aliados na guerra do Afeganistão. Em um post na plataforma X, Crosetto afirmou que optou por responder por meio de atos formais — a rotina institucional que dá peso às palavras no diálogo entre Estados — e fez um breve “repasse histórico” dos compromissos e sacrifícios nas diversas frentes em que as Forças aliadas atuaram.
“Em Itália, cada ocasião é boa para polemizar. Hoje escolheram as palavras de Trump na Fox a respeito do papel dos aliados dos EUA no Afeganistão. Eu decidi confiar minha resposta, como Ministro da Defesa, a atos formais, como se usa fazer entre Instituições, fazendo um breve repasso histórico do que aconteceu no Afeganistão e em muitos outros teatros”, escreveu Crosetto.
O ministro ressaltou que os fatos não podem ser cancelados e que, sobre o compromisso da Itália, o valor e o sacrifício das suas Forças Armadas não admitem “análises superficiais e erradas. De parte de ninguém”. A declaração de Crosetto tem tom de defesa institucional: não se trata apenas de honra, mas da memória pública e do reconhecimento das responsabilidades compartilhadas na arquitetura da segurança internacional — os alicerces que sustentam alianças como a NATO.
A polêmica foi desencadeada por afirmações de Trump segundo as quais alguns aliados da NATO teriam “ficado um pouco longe das linhas de frente” no Afeganistão. O comentário gerou repercussão imediata: o primeiro-ministro britânico Keir Starmer reagiu com duras críticas.
A Casa Branca, por sua vez, evitou um confronto direto com Trump e afirmou, por meio do porta-voz Taylor Rogers, que “os Estados Unidos fizeram mais pela NATO do que todos os outros países juntos”, numa declaração transmitida à AFP.
Entre as vozes que contestaram a avaliação de Trump está o príncipe Harry, veterano de serviço no Afeganistão, cujo porta-voz destacou que os sacrifícios dos soldados da NATO “merecem ser contados com sinceridade e respeito”. Harry lembrou o apelo ao Artigo 5º em 2001, que obrigou aliados a se alinharem aos EUA na defesa da segurança comum.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, também criticou duramente as palavras de Trump: publicou no Facebook que entende a dor dos veteranos dinamarqueses e classificou como inaceitável o questionamento do empenho dos militares aliados.
Como repórter que observa a construção de direitos e deveres entre nações, vejo nesta troca um exemplo claro de como o peso da caneta — ou do microfone — pode abalar os alicerces do reconhecimento mútuo. A resposta italiana, pautada por atos formais, busca transformar um ruído político em documentação histórica: uma ponte entre a memória institucional e a verdade dos fatos, para que ninguém tente derrubar as evidências com análises superficiais.
Seguirei acompanhando o desenrolar das reações diplomáticas e institucionais: cada declaração é um tijolo na construção da narrativa pública sobre quem fez o quê nas missões que marcaram as últimas décadas.






















