Por Alessandro Vittorio Romano — Nesta edição do Salus TV (nº 3, 21 de janeiro de 2026), acompanhamos a respiração dos sistemas de saúde e as ondas que atravessam a sociedade: da mesa técnica onde pacientes ganham voz aos caminhos por vezes longos até o diagnóstico de uma doença rara. Em tom atento e sensível, observo como essas questões tocam o tempo interno do corpo e as relações que nos sustentam.
Um dos pontos centrais do episódio é o relato em vodcast sobre como o sistema de saúde está mudando — com pacientes cada vez mais presentes nas mesas técnicas e nos processos decisórios. Essa participação ativa é como uma colheita de hábitos que transforma políticas em cuidado vivido, um movimento que respira junto com comunidades e profissionais.
O programa também chama atenção para um dado que pesa como um inverno lento: podem passar até dez anos para que uma pessoa receba o diagnóstico de uma doença rara. É essa a chamada “odisseia diagnóstica“, que o projeto Argo quer reduzir drasticamente. Argo nasce como um mapa para encurtar caminhos, iluminar sinais e devolver ao paciente o tempo que a doença lhe roubou — oferecendo protocolos, redes de referência e ferramentas digitais que acelerem a identificação clínica.
Em Roma foi apresentado o 21º Relatório Crea, com contribuições do psicanalista Lucattini, que aponta para um aumento inquietante da violência entre adolescentes, além do crescimento de feminicídios e infanticídios. O relatório não se limita a enumerar feridas: propõe caminhos preventivos, entre os quais se destaca a necessidade de sensibilização para relações humanas mais saudáveis e para a educação afetiva. Essas medidas são como aragem que nutre raízes — atuam antes que o solo se rompa.
O debate com especialistas indica que prevenir é semear: programas escolares e comunitários que ensinem a reconhecer emoções, a negociar conflitos e a construir vínculos respeitosos funcionam como um sistema de irrigação para a saúde coletiva.
Por fim, a voz da pesquisa clínica e estética surge nas palavras do professor Sbarbati (Università degli Studi di Verona): a celulite é tratada não só como um problema estético, mas como uma forma de envelhecimento precoce que merece prevenção. Sbarbati lembra que cuidar do tecido conjuntivo, da circulação e dos hábitos de vida não é vaidade — é cuidado com a paisagem do próprio corpo.
Fecho esta edição como quem observa um jardim no início da manhã: há sinais de fragilidade, mas também ferramentas para cultivar resiliência. O chamado é para escutar — pacientes, jovens, estudos — e traduzir essas vozes em ações concretas. A saúde respira em múltiplos tempos; nosso papel é aprender a ouvir seu compasso.






















