Matteo Bassetti, diretor do serviço de doenças infecciosas do Policlinico San Martino, em Gênova, classificou como um erro grave a decisão oficial dos Estados Unidos de deixar a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em publicação na plataforma X, o infectologista afirma que as decisões norte-americanas em saúde pública viraram “o zimbro del mondo” — na tradução direta: motivo de escárnio global — e que a situação inspira “dar risada, mas que deveria fazer chorar”.
O posicionamento de Bassetti surge na sequência do anúncio formal da retirada dos EUA da OMS, decisão que o médico relaciona a um conjunto de medidas e escolhas administrativas tomadas pela atual administração americana. Segundo ele, a gestão de Donald Trump ao lado de figuras como Robert Kennedy Jr na área da saúde tem colecionado equívocos: “Desde que Trump e Robert Kennedy Jr passaram a administrar a saúde, não acertaram uma. Nem por engano”, escreveu Bassetti.
Ao explicar seu ponto de vista à Adnkronos Salute, o especialista lista episódios que, na sua avaliação, compõem um ano de “desastres” na saúde pública dos Estados Unidos: mudanças na liderança dos CDC, substituições na FDA com um repaginamento de pessoal, uma epidemia de sarampo mal gerida e cortes de financiamento a instituições científicas. “Eles fizeram guerra aos pesquisadores, cortaram verbas às instituições. Sair da OMS é apenas a cereja no topo de um bolo de grandes estupidezes”, disse Bassetti.
O infectologista também emitiu um alerta sobre as consequências internacionais desses movimentos: se a tendência se mantiver até 2026, afirmou, os EUA correm o risco de perder credibilidade no campo da saúde e da medicina, comparando seu eventual isolamento a nações com menor desempenho sanitário, citando, genericamente, países africanos ou sul-americanos.
O comentário público de Bassetti foi direto e crítico, com ênfase na responsabilidade administrativa. Em tom de sentença jornalística, o médico não apenas reporta falhas pontuais — como a gestão do sarampo e mudanças institucionais —, mas traça um cenário de impacto estratégico: a erosão da confiança internacional nas capacidades dos EUA para liderar e cooperar em políticas sanitárias globais.
Do ponto de vista factual, a saída dos Estados Unidos da OMS é um ato com repercussões práticas e simbólicas. A Organização Mundial da Saúde atua como fórum e coordenadora de respostas a surtos, pesquisa colaborativa e financiamento para programas de saúde global. A retirada de um ator de grande porte altera fluxos financeiros, parcerias técnicas e a capacidade de resposta conjunta em crises sanitárias.
Como repórter com experiência de campo na Itália e no acompanhamento de políticas públicas de saúde, registro que críticas como a de Bassetti costumam ser lidas em dois níveis: o técnico — apontando erros de gestão e consequências operacionais — e o político — sinalizando a ruptura de normas de cooperação multilateral. Ambas as dimensões são relevantes para avaliar o alcance real da decisão americana.
Informações adicionais e reações oficiais das autoridades americanas e da OMS ainda são esperadas para que se faça um balanço completo. Por ora, o comentário do especialista italiano reforça o debate sobre como decisões internas de política de saúde podem reverberar como questões de credibilidade e segurança sanitária global.






















