Por Giuseppe Borgo — Em nova demonstração de prioridade na gestão do dossier migratório, o governo italiano renovou a convenção para o alojamento das forças de segurança envolvidas nos centros para migrantes na Albânia. O beneficiário é a mesma unidade hoteleira de alto padrão que já havia vencido o primeiro contrato: o Rafaelo Resort, em Shëngjin.
O protocolo entre Roma e Tirana, assinado em 6 de novembro de 2023, continua a servir como base política para soluções que o Palácio Chigi classifica como “inovadoras”. Mas, na prática, a operação vem enfrentando críticas por sua eficácia e pelo custo. Documentos do Ministério do Interior (Departamento da Segurança Pública) consultados pela imprensa mostram que a adjudicação definitiva do novo contrato — com duração de 24 meses — foi assinada em 11 de dezembro e prevê um custo unitário diário omnicompreensivo de €83,00 por cama em quarto individual, com alimentação e serviços anexos.
O valor máximo estimado para o contrato chega a €18.177.000,00 (excluídas tributações). A contratação decorre de uma consulta preliminar de mercado iniciada em 18 de junho de 2025 e concluída em dezembro do mesmo ano. O objetivo formal era identificar, em prazo curto, um operador para fornecer o serviço de alojamento às forças de polícia destacadas para o funcionamento dos centros.
Do ponto de vista político, a primeira-ministra Giorgia Meloni defendeu o protagonismo italiano em iniciativas externas. Em resposta às críticas sobre a operação, afirmou que o projeto não pôde “funcionar” antes por causa de decisões judiciais que consideravam o arranjo incompatível com a legislação europeia. “Nos disseram que era incompatível com a legislação da UE. Bem, nós corrigimos a legislação da União”, declarou, segundo registro oficial.
Ao lado da retórica institucional, persistem objeções práticas: até agora a operação não entregou todos os resultados esperados — pessoas destinadas à expulsão acabam retornando à Itália para procedimentos de repatriação — e os Centros de Permanência (CPR) em solo italiano continuam, em muitos casos, com custos inferiores por leito e com capacidade subutilizada. Para críticos, trata-se de uma escolha que privilegia a imagem de ação externa em detrimento da otimização de recursos e da construção de políticas internas mais eficientes.
Como repórter que acompanha a arquitetura das decisões públicas e sua relação com os direitos dos cidadãos, registro que a renovação do contrato representa mais do que uma despesa: é um alicerce de política migratória que decide onde se colocam as prioridades do Estado. Seja pela necessidade de garantir condições dignas às forças policiais destacadas, seja pelo peso da caneta quando transforma acordos políticos em contratos milionários, a operação na Albânia exige transparência e avaliação contínua dos resultados.
Os documentos do Viminale esclarecem que o processo de seleção teve prazo de manifestação de interesse até 15 de julho, com duas empresas inicialmente interessadas. A adjudicação à Rafaelo Resort S.r.l., com sede em Shëngjin, repete a solução adotada há dois anos, consolidando a continuidade deste modelo de alojamento para agentes em missão.
Enquanto a máquina governamental afirma ter derrubado barreiras legais e agilizado a operacionalização dos centros em localidades como Gjadër e Shëngjin, a sociedade segue aguardando respostas claras sobre eficácia, custo-benefício e o real impacto dessa estratégia sobre os direitos dos migrantes e a segurança pública nacional.






















