Brigitte Bardot: uma vida a serviço dos animais
O mundo do cinema perdeu uma de suas figuras mais icônicas: Brigitte Bardot morreu em 28 de dezembro, aos 91 anos. No entanto, para muitos, a verdadeira transformação que marcou sua trajetória aconteceu bem antes do fim da carreira: em 1973, durante as filmagens de Colinot trousse-chemise, Bardot tomou a decisão de dedicar o resto da vida à proteção dos animais. Foi então que ela deixou os estúdios e semeou um novo caminho, iluminando causas que hoje reverberam internacionalmente.
Brigitte Bardot tornou-se estrela desde os anos 1950 — descoberta após um ensaio para a revista Elle em 1950 e consagrada no cinema com o sucesso de Et Dieu… créa la femme (1956). Mas, mesmo em sua época de glória na tela grande, seu afeto pelos animais atravessava sua vida: usou sua voz e sua visibilidade para abordar temas que então eram pouco discutidos.
Já no início da década de 1960, Bardot posicionou-se contra os allevamenti intensivi (criações industriais) e denunciou práticas cruéis em matadouros. Em 1962, criticou o uso de pistolas elétricas no abate e adotou o estilo de vida vegetariano. Em 1967, foi recebida no Eliseu pelo presidente Charles de Gaulle — um encontro que, segundo relatos históricos, contribuiu para avanços nas práticas de abate que visassem reduzir o sofrimento animal, como o reconhecimento do stordimento antes do abate nos anos seguintes.
Há um episódio lendário — contado por Bardot a confidências — que se tornou símbolo de sua virada: no set de Colinot trousse-chemise, ela encontrou uma cabra cujo destino já estava traçado. A proprietária apressava as filmagens porque a animal seria sacrificada para uma primeira comunhão na semana seguinte. Ao saber disso, Bardot comprou a cabra para salvá-la. Esse gesto simples, de compaixão e coragem, iluminou um novo propósito em sua trajetória.
A partir daí, Bardot transformou a energia de sua fama em ativismo concreto: fundou a Fundação Brigitte Bardot dedicada ao bem-estar e proteção dos animais, apoiando causas e organizações que lutam pelos mais vulneráveis. Ela também destinou sua herança para sustentar essas iniciativas, garantindo que seu legado continuasse a cultivar cuidados e políticas públicas mais humanitárias.
Em comunicado à Espresso Italia, Michela Vittoria Brambilla, presidente da Lega Italiana Difesa Animali e Ambiente, afirmou: “O exemplo de Bardot permanecerá como farol para todos nós que lutamos diariamente pela defesa dos mais indefesos”. Essa declaração ressoa como um acender de luz sobre a persistência do ativismo pelos direitos animais.
Mesmo afastada das telas, Bardot nunca negou seu passado cinematográfico. Pelo contrário: sua trajetória mostra como é possível tecer laços entre arte e compromisso social — transformar fama em instrumento de transformação. Em cada ato, ela buscou iluminar novos caminhos para o cuidado com a vida não humana, sem abrir mão de posicionamentos firmes e, por vezes, controversos.
O legado de Brigitte Bardot é, portanto, duplo: de um lado, a imagem indelével de uma estrela que marcou o cinema; de outro, a construção de uma obra prática em defesa dos animais, que continua a produzir efeitos tangíveis nas políticas e na consciência pública. Hoje, ao recordar sua jornada, somos convidados a cultivar valores que preservem a dignidade da vida e a semear inovação ética nas relações entre humanos e animais — uma herança de luz que segue irradiando.
Formato pronto para publicação em WordPress: utilizar imagem destacada com retrato de Bardot em tom suave, bloco de citação com trecho da fala de Michela Vittoria Brambilla, e categorias: Cultura / Sociedade / Meio Ambiente.






















