Por Giuseppe Borgo – Espresso Italia
O general Roberto Vannacci está cada vez mais direcionado à criação de um partido próprio, segundo crescente rumores nos corredores parlamentares e nos quadros da Lega. A hipótese, que circula com insistência, aponta para um possível transporte de consenso: até 10% dos conselheiros municipais e regionais do Carroccio poderiam acompanhar o movimento do General.
Nos bastidores, o novo agrupamento provisoriamente apelidado de “Noi per Vannacci” aparece como alternativa à sigla de Matteo Salvini, com foco em uma agenda de forte marca soberanista. Entre os nomes citados como potenciais apoiadores na Câmara estão Edoardo Ziello, Elisa Montemagni, Andrea Barabotti, Rossano Sasso, Domenico Furgiuele e Dario Giagoni; no Senado, o respaldo viria de Claudio Borghi e Manfredi Potenti. Esses apoios, se confirmados, dariam ao projeto um esqueleto parlamentar inicial que facilitaria a transição.
A leitura política da ausência do General na recente dois dias da Lega nas neves abruzesas reforça o sinal de distância entre ele e o partido. A movimentação pública de Vannacci no último ano — com dezenas de encontros por toda a Itália frequentemente esgotando ingressos — revela um trabalho de base meticuloso, concentrado em temas caros à direita, a começar pela questão da remigração. É essa capilaridade que lhe teria permitido erguer um núcleo de apoio longe de Bruxelas, preparando o terreno para uma possível entrada direta na política nacional.
Fontes próximas ao General afirmam que o lançamento formal do partido é questão de tempo. “Estamos prontos. Mas não será uma operação de palácio”, dizem seus assessores mais próximos, sublinhando que a intenção não é meramente montar um grupo parlamentar imediato: “Daqui a pouco mais de um ano há eleições. Construiremos um contêiner com ideias e valores claros e coerentes: veremos quantos italianos se reconhecerão nele”.
Na retórica pública, Vannacci tem sido descrito por alguns analistas como uma espécie de AfD em versão italiana — ou seja, uma força de direita com perfil ultrassoberanista e foco em políticas de migração e segurança —, analogia que carrega tanto advertência quanto oportunidade para eleitores e atores políticos. Se a fundação se concretizar, teremos diante de nós uma nova peça na arquitetura partidária italiana, capaz de recalibrar alianças e tornar mais complexa a paisagem eleitoral regional e nacional.
Do ponto de vista cívico, a possível cisão levanta questões práticas para eleitores, administradores locais e comunidades de imigrantes e ítalo-descendentes. A construção de um novo partido é, em essência, a edificação de outros canais de representação: saberão os novos alicerces resistir ao peso da competição política e traduzir promessas em políticas públicas? Essa será a pergunta que pesará na balança do voto.
Enquanto isso, a Lega procura consolidar sua base após as eleições na Toscana — onde, segundo relatos internos, Vannacci teria sentido decepção — e preparar a resposta institucional a uma eventual escissão. Os próximos meses serão decisivos: a caneta ainda pesa e as fundações estão sendo colocadas.
Nota: informações baseadas em rumores e declarações de fontes próximas; os nomes citados refletem relatos políticos em circulação.






















