Por Giulliano Martini — A descoberta dos restos da Basilica de Vitruvío em Fano impõe decisões imediatas e de grande impacto para sua proteção e fruição pública. Em entrevista à AGI, o professor Paolo Clini, estudioso de Vitruvio há três décadas e fundador do Centro Studi Vitruviani, sugeriu que a intervenção de uma figura como Renzo Piano poderia transformar o achado em um “grande monumento contemporâneo no monumento”.
Clini descreve a descoberta como excepcional e fruto de um trabalho de cruzamento de hipóteses e apuração técnica. A presença de uma coluna em arenária emergiu durante obras de pavimentação na Piazza Andrea Costa. A Soprintendenza delle Marche e equipes do Ministério interromperam os trabalhos e iniciaram escavações onde Clini já havia previsto a localização das colunas — todas foram identificadas.
Há aporte financeiro previsto, com verbas regionais e ministeriais destinadas à requalificação da área. A questão agora é como valorizar “o maior monumento da nossa civilização”, nas palavras de Clini, sem comprometer a integridade arqueológica. Uma proposta prática evocada pelo professor remete ao parque arqueológico de Siponto, na Puglia, onde o artista Edoardo Tresoldi instalou uma estrutura em rede metálica que reconstrói, de forma não invasiva, a volumetria de uma basílica paleocristã sobre as ruínas existentes.
A solução sugerida por Clini é uma intervenção arquitetônica removível, em diálogo entre classicidade e contemporaneidade, que permita ao público circular entre as colunas originais. Segundo ele, uma obra desse tipo teria potencial para atrair visitantes internacionais e colocar Fano no mapa do turismo arqueológico contemporâneo.
Os dados arquitetônicos confirmam a magnitude do edifício descrito por Vitruvio. A basílica apresentava planta retangular, com oito colunas nos lados longos, quatro nos lados curtos e duas colunas a menos na porção voltada para o Fórum. Eram colunas de ordem gigante: cinco pés romanos de diâmetro — cerca de 150 centímetros — e altura estimada em 15 metros, com pilastras adossadas para sustentação do pavimento do piso superior.
Clini ressalta que Vitruvio seguiu a regra clássica — colunas coríntias com altura equivalente a dez vezes o diâmetro — e destaca a singularidade das dimensões: apenas o templo de Júpiter em Baalbek, no Líbano, apresenta colunas de porte comparável no mundo romano, enquanto tamanhos similares são típicos do mundo egípcio. O material usado — uma arenaria mais frágil — torna a realização construtiva ainda mais notável. “Do ponto de vista técnico, estamos diante de uma obra do nível do Pantheon“, afirmou o pesquisador.
O cenário à frente é claro em termos de prioridades: proteção arqueológica, projeto de musealização compatível com a fragilidade do sítio e definição de um modelo de fruição que conjugue conservação e atratividade. A proposta de convocar um arquiteto de projeção internacional é parte dessa equação. Resta ao poder público decidir entre intervenções paliativas e um projeto ambicioso e permanente capaz de respeitar os fatos brutos revelados pela escavação.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e a responsabilidade técnica das autoridades serão determinantes nas próximas semanas, quando as verbas e os estudos preliminares deverão orientar a escolha por um modelo definitivo de valorização.






















